22 de Fevereiro de 2008

Defendendo o direito do chinês comer cachorro

Publicado por Cris Motta em ...mais que palavras.. idéias..

E por falar em respeito à diferença, ontem vi na tv (francesa) uma mulher que esta fazendo um movimento contra o consumo de carne canina na China.
Por um milésimo de segundo, fiquei ao lado da mulher, que quer defender esses pobres animais, os cachorrinhos que aqui na França sao idolatrados, de terminar seus dias no prato de algum chinês.
No milésimo de segundo seguinte me lembrei que na India, as vacas sao sagradas, entao nem pensar de consumir nossas tao populares picanhas e cupins e bifes bovinos. E ai, se os indianos quiserem fazer um movimento para que nos nao possamos mais comer o que comemos desde sempre? Que esta inserido na nossa cultura e tradiçao? Sera que iremos dar ouvidos a eles? E se os judeus ou os muçulmanos fizerem um movimento para ninguém mais comer carne suina? Quem vai abdicar em prol da cultura alheia, dentro da propria casa?

(Nao estou fazendo apologia ao consumo de carne. Eu nao sou vegetariana, mas respeito a ideia e admiro quem consegue ser, eu nao conseguiria.)

O que eu estou falando é sobre a prepotência de algumas pessoas e povos de acharem que sao mais evoluidos em relaçao aos outros, e querem ditar o que o outro pode ou nao fazer, para quem deve rezar, no que deve acreditar, o que pode ou nao comer..

Eu nao comeria cachorro. Eu como carne. De boi e de porco. Mas nao posso obrigar a quem nao come de faze-lo. E me parece no minimo desrespeitoso querermos interferir em uma coisa que existe ha tanto tempo. Creio que o argumento seja simplesmente “cachorro nao se come”. Mas isso nao é uma questao de gosto e tradiçao?

Na minha vida, uma coisa que foi boa foi sair de casa, do meu estado e depois do meu pais, e conhecer outros lugares e pessoas , com quem conheci outras culturas e aprendi, depois de um tempo, que nao existe cultura melhor ou pior, elas sao todas diferentes e eu prefiro algumas coisas de alguns lugares, muitas coisas do Brasil, mas aprendi a respeitar, o que é mais importante; e introduzir na minha vida o que me interessa e rejeitar o que nao esta de acordo com o meu gosto. E à medida que vou conhecendo mais coisas e vivendo vou ficando mais tolerante e mais diferente, com um pouquinho de tempero de cada lugar ou pessoa que conheço. Um verdadeiro quebra-cabeças de gostos que se afinam todos comigo.

Conhecem aquela famosa frase de Voltaire: Posso nao concordar com o que você diz, mas defendo até a morte seu direito de dize-lo. Tento ser assim. Por isso, apesar de nao servir para mim, defendo o direito dos chineses de comer cachorro.

E você, consegue tomar distância e defender o direito de fazer algo que você nao faria pessoalmente? Você comeria cachorro? Você consegue respeitar alguma opiniao que é muito diferente da sua, se ela nao tiver influencia na sua vida?

ps: Respeito culturas e tradiçoes quando elas nao vêm acompanhadas de violencia. Sei que o tratamento aos animais é muitas vezes cruel, :( e sou contra isso para todos os animais, que eu os coma depois ou nao. E penso muito se ha um jeito nao cruel de se matar um animal para consumi-lo, uma vez que creio que somos carnivoros por natureza… :(

21 de Fevereiro de 2008

A inércia alheia me faz mal.

Publicado por Cris Motta em ...mais que palavras.. idéias..

Oi pessoal, desculpe a ausência.. finalmente estou eu aqui depois de quase 3 meses sem escrever.. Me desculpo com quem veio aqui e não tinha nada de novo.. sei como é chato começar a seguir um blog e depois vê-lo abandonado. Estou de volta a França e tenho a intenção de não deixa-lo tanto tempo assim parado.
Todo esse tempo fora daqui pensei muito em muitas coisas para escrever, a cabeça fervilhou no Brasil e pouco a pouco vou colocar no blog um pouco do que andei filosofando sozinha e com amigos…
Para ilustrar um pouco o post e o meu amor por Mário Quintana, ponho aqui um verso dele:

DO PRANTO

Não tentes consolar o desgraçado
Que chora amargamente a sorte ma.
Se o tirares por fim do seu estado,
Que outra consolação lhe restara?

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E por falar em assumir as conseqüências, andei muito incomodada com reclamações de um modo geral. Sabe aquele tipo de gente que reclama incessantemente, mas não faz nada para mudar? E que sofre as conseqüências de suas ações, mas se recusa, mesmo assim, a mudar de atitude, postura, opinião?
Tudo para eles parece ser tão difícil, tão imóvel, tão imenso. Quando na verdade não é. As pessoas parecem que se criam problemas para ter do que reclamar depois, de como a vida é difícil e etc. Eu mesma já me peguei nessa lógica de auto-piedade, mas quando vejo qualquer faisca desse sentimento, já fico com raiva de mim mesma, e me mexo para mudar a situação. Muitas vezes a situação é difícil mesmo, mas algo precisa ser feito. Aos poucos? Tudo bem, mas a inércia imóvel é intolerável. Para mim. Para eles, nao, faz parte da vida.
Por isso o convívio as vezes é insustentável com gente que vive nesse circulo vicioso. Porque parece que as pessoas não querem sair disso.. não ouvem opiniões de fora, não tem novas idéias, não procuram novos caminhos. Caminhos que dependem as vezes de apenas um “nao” ou um “sim”.

Como se um ratinho de laboratório ficasse levando choques em permanencia para tentar pegar um queijo, e não desistisse, na esperança que o choque parasse. Mas o choque não para. E não para mesmo, não existe queda de energia no laboratório, eles tem gerador. O choque só para se o mundo acabar. Mas dai não adianta mais nada para ninguém..

E dai você tenta mostrar que podem existir outros meios diferentes, melhores.. Não tenho as respostas para o problema de todo mundo, só gostaria que as pessoas tentassem ver de um outro jeito, que mudassem as tentativas para que o resultado que os incomoda fosse diferente.

Mas não. Elas realmente não querem mudar, parece que querem continuar a sofrer para ter do que reclamar. Talvez inconscientemente. Me dirão: você ta louca, você acha que eu quero ter problemas, eu quero é ser feliz. Mas não fazem um esforço, uma mudança, e isso me deixa doente.

Eu cansei.

Não vou mais abrir minha boca para dar opiniões que eu sei que não serão bem vindas, nem aceitas, nem postas em pratica, nem experimentadas ao menos. Demorei 30 anos, mas aprendi que tem coisas que tem que ser aceitas, e essa é uma delas. A inércia alheia. So vou me afastar dessas situaçoes, nem digo das pessoas, mas de situaçoes que me confrontem com o conformismo. Não vou me envolver mais em problemas que não são meus se não me pedirem opinião.. e se pedirem, vou refletir antes de da-la. Porque não quero gastar saliva para o vento. Não digo que as minhas idéias são as melhores, o que eu digo é que não adianta pedir opinião aos outros se no fundo você sabe que fará exatamente como já havia planejado. Isso para mim é desperdício de idéias e preocupação. Cansei de me preocupar e sofrer pelas mazelas alheias e ninguém fazer nada a respeito, so eu tentar mudar, e os outros se sentarem a mesa para reclamar, sendo essa a unica atitude.

Ficam imóveis e depois sofrem. O que posso fazer? Sinceramente, é tempo de assumir a responsabilidade por nossa inércia, por nossas ações e tudo o que fizemos no passado. Não posso salvar o mundo, mas posso estender uma mão e sempre o fiz, e vou continuar fazendo, é a minha natureza. Mas só se for para que a pessoa se levante, e não para que ela me puxe para baixo, para seu poço de reclamações e marasmo. Se for para ir para o poço, obrigada, mas eu passo.

Sei que passarei uma imagem de esnobe talvez. E isso talvez seja imediatamente ligado ao fato de “ter ido para a França e ficado metida, bla bla bla”. Mas sabe o que? Estou pouco me importando com tudo isso. Quem me conhece sabe como sou, e vou viver finalmente do jeito que eu acho melhor, mais sério e correto. Ajudar quem quer ser ajudado. Fora isso, vou viver a minha vida ao lado dos amigos que têm problemas sim, mas que querem e tem coragem de se livrar deles e arranjar algo mais interessante para fazer da vida do que se lamuriar.

E você, esta dentro ou fora do poço das lamentações? Aceita repensar suas opiniões quando nada esta dando certo? Ou insiste na idéia mesmo que isso te leve eternamente a dar cabeçadas na parede? Acredita que as vezes é melhor largar a mão de alguém para ajuda-lo desse jeito? Conhece os lamentadores profissionais? Você é ou já foi um lamentador profissional? A vida não é muito melhor quando tomamos uma atitude? :D

29 de Novembro de 2007

Você conseguiu se mudar da casa onde nasceu?

Publicado por Cris Motta em ...mais que palavras.. idéias..

E por falar em saudade, irei ao Brasil em breve, e estou muito feliz.. nem parece que faz so 3 meses que estive la.
Falando de saudade, hoje recebi aquele email antigo, falando da saudade mais dolorida, que é a saudade do amor.. esse email é triste de doer e sempre me deixa melancolica. Mesmo sendo feliz hoje em dia! : ) Coisas de romantica. Coisas de artista, diria meu marido.
Mas nesse texto fala das saudades que temos de lugares, e por consequencia de pessoas.

Tenho saudade de muitos lugares que fui. Saudade do meu quarto de uns 25 metros quadrados e banheiro comunitario onde morei com uma amiga maravilhosa durante o melhor ano da minha vida em um dormitorio nos EUA, saudade das ruas de Cingapura (cheias de shoppings), saudade da cantina do Instituto de Artes da UNICAMP, saudade do nosso apartamento em Sao Paulo, saudade da “lanchonete” onde iamos na adolescencia em Sao Lourenço.. (cada lugar que lembro, um suspiro). Mil outros lugares vem a mente, numa corrente feliz. Feliz porque apesar de nao poder ir mais a alguns desses lugares, fico feliz de ter ido e vivido tudo isso (e ir hoje nao é a mesma coisa, nos lugares que ainda poderia ir).

Mas existe um pequeno poema de Mario Quintana, que me chamou muito a atençao. O poema se chama: “Quem disse que eu me mudei?”

“Não importa que a tenham demolido:
A gente continua morando
na velha casa em que nasceu”.

A casa onde eu nasci nao foi demolida, mas hoje em dia nao tem nada a ver com o que era: hoje em dia é uma escola de informatica, e o grande pomar* que tinhamos foi todo destruido e uma pista de skate foi montada no lugar.

(*com arvores de : abacate, figo, roma, goiaba vermelha e branca, jabuticaba, manga, caqui, pessego, mamao, tangerina, um pinheiro, palmeiras, além de muitas flores)

Esses tempos atras sonhei com esse quintal.. e era hoje em dia! Eu estava la com o meu marido, mostrando as arvores para ele.. eu ainda lembro o caminho das arvores, e ja faz 21 anos que sai daquela casa!
Quando acordei, lembrei do poema e pensei que precisava escrever!

Sera que eu continuo morando la? Sera que sou a mesma da infancia? Sera que a gente realmente nunca deixa as origens para tras?
Eu viajei bastante, vi lugares e pessoas diferentes do que eu conheci naquela época. Tenho certeza que tudo o que passei teve uma influencia importante na minha vida, na minha aparencia, na minha personalidade..

O que sera que ainda ficou de mim daquela época?

Sera que conseguimos evoluir guardando coisas do passado? Eu creio que sim, sabendo fazer a boa distinçao entre o que realmente vale a pena e o que é para ficar no passado, guardadinho. E isso é crescer, nao é mesmo?

E você, o que guardou da infancia? Ainda guarda alguma coisa que gostaria de “se livrar”? E do que tem orgulho de manter na sua personalidade desde aquela época? E voce continua a viver na velha casa onde nasceu? (pelo menos sente isso de algum modo?)

15 de Novembro de 2007

Concreto:sob ou sobre seus pés?

Publicado por Cris Motta em ...mais que palavras.. idéias..

E por falar em força interior, aquela força que vem do nada e que nem sabiamos que tinhamos, digo que estou muito feliz.
Feliz por ver que essa força existe em todos, e que faz parte do nosso aprendizado aprender a domina-la e coloca-la para fora. As experiencias pelas quais passamos nos dao a possibilidade de crescer, e ver que, no fim as dificuldades eram material para a construçao de algo mais concreto.

Para a força interior, em alguns momentos, me vem a imagem de uma ponte, que liga dois precipicios. Aquelas pontes estilo Indiana Jones, de madeira e cordas.. que balança, vai para la e para ca com o vento. Nao damos nada por ela, acreditamos que essa ponte nao é capaz de aguentar nem uma tempestade mais forte…que ela pode se romper a qualquer momento. Essa imagem que temos de nossa força interior muitas vezes se reflete no exterior, e parecemos, aos olhos dos outros, frageis, vulneraveis, voluveis. Quem nos ama teme por nosso equilibrio, por nossa integridade emocional. Eles tem bem razao em muitas vezes em temer por tudo isso. Nos mesmos temos medo que algo nos aconteça, por temer que desabemos.

E entao, quando menos esperamos (porque as coisas ruins nao dao aviso na maioria das vezes), acontece o que temiamos, e nos vemos face a uma situaçao que imaginamos nao conseguir enfrentar.

Pode ser a morte como o seu primeiro significado, ou a morte de um amor (que continua vivo, mas distante), de uma amizade, da confiança em alguém, a morte de nossa saude perfeita, a morte da saude perfeita de um proximo, de um emprego. Digo morte no sentido de fim, porque é assim que sentimos quando algo muito importante nos escapa: sentimos que alguma coisa morreu.

Nesse momento poe-se em teste a ponte. Com suas madeiras tao frageis…

E de dentro de nao sei onde, nao sei de dentro de nos mesmos ou do ambiente em ebuliçao, e com uma força igual ou maior e contraria ao que nos atinge, vem o nosso poder de reagir.

E a ponte, que outrora nos parecia tao vulneravel, reaparece fortalecida, de concreto, de aço, e capaz de suportar qualquer dificuldade que se apresente. A ponte continuara la, para nos conduzir ao outro lado do problema, em segurança. Muita tempestade pode passar, a ponte pode até balançar (como os predios no Japao! :) ), mas ela nao caira.. no final das contas, tudo estara bem, e nos sentiremos ainda mais fortes para enfrentar o que aparecer.

Cada problema é um pouco de concreto que vem construir nossa ponte. Cabe a nos colocar esse concreto no lugar correto, nao no nosso caminho, mas sob o nossos pés.

E você, qual é a imagem que tem da sua força para enfrentar grandes problemas? Você se sente exausto ou revigorado quando sai de uma situaçao dificil? E onde você coloca o concreto de suas dificuldades?

23 de Outubro de 2007

Conseguir rir de dentro de um barco furado..

Publicado por Cris Motta em ...mais que palavras.. idéias..

E por falar em aprender com as experiencias, ca estou eu a rir de uma que passei aqui na França, que me serviu bastante. Serviu bastante para NAO fazer de novo! :D
Fiquei feliz porque encarei o fato na esportiva, porque consegui sentir que nao é so das experiencias positivas que podemos tirar algo de bom, que nas experiencias negativas, pelo menos aprendemos. Bem, isso é geralmente bonito de se falar, mas sentir isso realmente nao é facil. E eu senti.
O acontecimento em questao foi uma exposiçao de quadros da qual participei, que no final das contas foi uma coisa totalmente nada a ver, eu me perguntava o que estava fazendo la. Mas me perguntava rindo da situaçao, que nao foi engraçada: gastamos dinheiro para estar la, e nao tive nenhum retorno financeiro. Ok, nem tudo é dinheiro na vida, mas faz bem também, nao é??
Mas dessa experiencia ficou… a experiencia. Mas ficou algo além, ficou a placidez de admitir que a coisa simplesmente era uma furada na qual entrei de gaiato.
Fiquei bem feliz de poder olhar para tudo, aprender e saber o que nao repetir!! E de nao ficar me lamentando, de ficar deprimida, vendo so o lado ruim do que aconteceu.
Eu vi coisas novas, conheci (mesmo que superficialmente) pessoas novas, e isso vai ser o que vai ficar do evento.

Vi também, e isso é muito importante(o evento era uma feira para deficientes), a garra de tantos deficientes que estavam por la. Nao vou ficar descrevendo a deficiencia das pessoas, mas vi casos sérios, que so posso guardar na lembrança como um incentivo para continuar a viver plenamente, e sem reclamar de bobagens!

E você, vê o lado bom dos seus erros? Consegue dar risada das furadas na qual se mete? E é incentivado pela vitoria frente a dificuldade que as outras pessoas conseguem??

8 de Outubro de 2007

Os lados das historias e suas verdades individuais

Publicado por Cris Motta em ...mais que palavras.. idéias..

E por falar em perigo, qual o perigo de se entregar a uma historia que nao é a sua? E de se ouvir um lado so da historia?
Toda historia tem dois lados.. e arrisco a dizer mesmo que tem tres lados.. e se formos filosofar, podemos encontrar varios outros.
Quando acontece um fato entre duas pessoas, uma vê de um jeito e a outra de outro. Existe ainda o lado imparcial, do que realmente aconteceu, sem as verdades paralelas de cada um.
Uma amiga se envolveu em uma historia que nao era dela, e sofreu as consequencias de um envolvimento com um unico lado da historia. Ela ouviu o que sua amiga contou entre lagrimas e sofrimento. Ficou pesarosa por dias, teve odio dos outros envolvidos na historia, que faziam sua amiga sofrer, ser humilhada. Pensou em atitudes drasticas, passou por dias horriveis, sentindo compaixao pelo drama da amiga, que estava la deprimida, começando a se entregar a bebida, com o perigo de perder o emprego. Por algumas semanas ouviu a historia, que cada dia ganhava detalhes de absurdo.
Minha amiga veio a mim em frangalhos, pedindo conselhos, e me envolvi também.. fizemos quase que uma corrente pro-fulana, que estava la sofrendo calada, oprimida, chantageada (pensavamos).

Caimos em um erro banal. Ouvimos so um lado da historia.. ficamos sabendo do outro lado poucas semanas depois do inicio de tudo, e o grande drama revelou-se na verdade uma historia fantasiosa, na qual a “sofredora” era conivente e incentivadora da situaçao no inicio, mas perdeu o controle e o feitiço virou-se contra ela.

Nos sentimos tao idiotas, minha amiga e eu. Tanta energia desperdiçada, tanta gana de fazer algo em prol de alguem que estava sendo abusada emocionalmente, e la estavamos nos, na verdade, sendo abusadas. Eu nao, na verdade, mas minha amiga. Sofrendo, com um certo luto por toda a situaçao, o odio corroendo..

Uma vez confrontada com o outro lado da historia, a fulana admitiu que mentiu, aumentou, omitiu.. Depois de tudo o que fez os outros passarem, na verdade era ela quem havia se causado o proprio problema.

Fico impressionada com a capacidade das pessoas de fazerem uma novela em torno de suas vidas para ganharem atençaou ou pena. Impressionada com pessoas proximas que pelo mérito de uma fofoca, espalham um segredo que lhes foi confiado.

Relaçoes humanas sao muito delicadas.. as historias sempre tem o meu lado, o lado do outro, e o que realmente aconteceu. Existem coisas que nunca sairao da boca de alguém ao contar uma historia, seja por pudor, por medo, por maldade. Eh ai que fica o pulo do gato… o perigo de nos envolvermos em historias assim, é de as vezes a historia nem existir.. Construimos uma situaçao apenas com o material fornecido por uma pessoa, e com certeza é muito dificil ser imparcial. As pessoas têm uma tendencia à “mexicanizaçao”. Elas querem fazer a propria historia mais interessante ou dramatica e nao tem a consciencia que os outros podem se solidarizar a ponto de sofrer por aquela novela. E se tem consciencia, nao estao nem ai…

Sera que a visao de cada um da mesma historia pode ser tao diferente a ponto de serem contrarias?

Com certeza nao se envolver com uma historia triste que nos é contada, é dificil. Mas por uma questao de auto proteçao, creio que devemos analisar mais friamente, pensar nas possibilidades da historia ser verdade, antes de nos envolvermos. Porque no final das contas, quem sofre mais somos nos, que nos ligamos a uma historia que mal existe.

Conheço varias pessoas de mente criativa, para nao dizer mentirosas (mentirosas compulsivas até).. e a partir delas, duas coisas aconteceram na minha vida: com a aversao que tomei desse tipo de atitude, passei a ter mais atençao ao contar uma historia, para nao fazer dela um romance, para nao acrescentar nada que nao seja verdade. Se minha historia nao for interessante, sinto muito, isso é o que aconteceu. E a segunda é ter uma atitude mais desconfiada, e nao me jogar no sofrimento alheio antes de refletir.
Nessa vez eu escorreguei.. comprei a historia da mulher, que nem conheço, como ela contou, nao pensei que poderia haver outra versao, sabendo do seu sofrimento (ir)real, dos porres e beques presenciados por minha amiga, de toda a atmosfera de dor, e bla bla bla.

ok, cai nessa. Mas é sempre bom pra aprender… ;)

Mas é sempre ruim saber que temos que ficar alertas para tudo, mesmo quando queremos ajudar um conhecido..

e o pior, um amigo. :(

E você, tem a consciência de contar uma historia da forma mais veridica possivel ou melodramatiza o que diz, porque acha que fica “mais legal” assim? O que leva uma pessoa a envolver os amigos em uma mentira? Você se entrega e sofre nas historias dos amigos, sem se perguntar se é verdade ou nao? Você acha que é triste se perguntar sobre a veracidade do que ouviu a cada historia mais impressionante?

Você diz sempre a verdade quando conta o seu lado da historia?

15 de Setembro de 2007

Quantas bolas você quer no seu sorvete?

Publicado por Cris Motta em ...mais que palavras.. idéias..

E por falar em turbilhao de vida, vejo-me no meio de um. Sabe aquele tempo em que mil idéias e pensamentos e emoçoes estao na sua cabeça e nao conseguimos dar um fim, nem um caminho que seja para nem a metade de tudo isso?
Passei um mês no Brasil e nao consegui escrever um post aqui no blog. Também por falta de tempo, mas muito pela simples falta de colocar as idéias em ordem e querer viver tudo ao mesmo tempo. Fazendo uma comparaçao beeeem ralé, é como estivesse frente a uma super mega sorveteria, a Gellateria Parmalat, com mil sabores deliciosos possiveis para a escolha… e vem aquela insuportavel atendente te pedindo para escolher so um sabor… porque voce so tem direito a uma bola. rrs :D Putz, como sempre vou no doce de leite com coco, mas os outros sabores estao ali, a sua mercê!! O que fazer para resistir???
Decidi que vou me organizar nessa sorveteria. Vou sim fazer escolhas, pero no mucho. Peço ao invés de um sorvete simples, quero uma banana split! E no cascao! E com calda! E com canudinho de waffer.
Sinto muito, nao da pra se limitar tanto, com uma bolinha so… nao da.
Sempre fui meio malabarista, equilibrando coisa em cima de coisa, nao querendo abrir mao de nada… nao é porque sou indecisa, é justamente o contrario!! Eh a decisao multipla!! O problema sao tantas boas opçoes.. E tenho que experimenta-las, para poder dizer que gosto ou nao gosto!!
Dizem que nao se pode servir a dois senhores… estou de acordo em partes. Acho que servir a um senhor so é muito limitado. Entendo até que digam que nao podemos nos dedicar de corpo e alma a dois amores, a dois paises… mas o que fazer com dois filhos? Com dois amigos? Dois empregos? Nao nos viramos para ser eficiente (ou pelo menos tentar ser) com todo mundo, cada um com suas necessidades? Ou pelo menos nao tentamos? Por que nao tentar, nao arriscar um novo projeto, abrir as asas para acolher algo novo que chega?
Minha cabeça gira com muitas ideias, muitas possibilidades, muito amor por muitas coisas!
A sorveteria esta aqui, e esta fazendo um suuuper calor.
O que vou fazer agora é so aceitar que eu posso sim, ter a minha banana split… e vou vendo se posso adicionar mais sabores depois. Porque me martirizar com uma so opçao so vai me deixar na duvida se escolhi a certa… entao vou fazendo meus malabarismos com o quero… e aos poucos vou adicionando mais coisas… com cuidado para nao deixar cair tudo de uma vez.. se for cair, que seja um dos malabares so..
Creio que alguma hora vou sentir que tudo esta completo… que fiz as opçoes certas.. porque tenho uma certeza em mim que para mim o que nao funciona nao sao as opçoes A, nem B, nem C, nem D. O que vale é a E= Todas as anteriores.

E você, ja se torturou por alguma escolha que, na verdade, nao tinha que ser feita? Crê que varias opçoes sao possiveis em varias situaçoes da vida? Ou acha que isso tudo é “coisa de gente indecisa”? Quantas bolas você quer para o seu sorvete???

17 de Agosto de 2007

A vida apos a decepçao de Maria

Publicado por Cris Motta em ...mais que palavras.. idéias..

E por falar em tristeza, so sabemos o quanto nos doi uma decepçao quando temos uma. E depois parece que esquecemos um pouco, até a proxima cair nos nossos pés.
Bem, dessa vez nao aconteceu comigo, mas com uma pessoa bem proxima, e por isso estou sentindo meio que na pele a decepçao dessa pessoa com alguns amigos. De repente (como diria Vinicius: nao mais que de repente) um botao foi apertado e a cortina caiu, e o que se viu foi um pequeno show de horrores.
Mesquinhez.
Uma das qualidades que mais admiro nas pessoas é a solidariedade, o estender da mao, o sentimento que somos todos um, e que nessa corrente, se todos nos juntarmos, iremos mais longe, seremos mais fortes.
E a mesquinhez vai contra tudo isso. Ela quer tudo para ela, ela pensa no proprio bem, e nao se importa com quem esta a sua volta. E isso é um defeito horroroso. Quando fico sabendo de alguma historia nesse nivel, sempre me choca.
E quando fiquei sabendo dessa historia, fiquei enojada. Porque a mesquinharia saiu dos grandes amigos da vida dessa pessoa. Aquelas pessoas que passaram anos ao seu lado, e de repente você se vê na posiçao de questionar todos os momentos que passaram juntos e perguntar: sera que era interesse puro?
Essa pessoa, que vou chamar de Maria, para facilitar de contar a historia, tem uma familia que antigamente se diria “bem de vida”. Os pais de Maria tinham uma certa influencia, e por conta dessa influencia, suas amigas conseguiram coisas como viagens, estagios e oportunidades interessantes de crescer financeiramente e culturalmente. Maria encarava tudo isso com grande felicidade, por ver que ela e suas amigas estavam virando adultas cheias de coisas legais para contar, experiencias enriquecedoras e mesmo superficiais, mas sempre financeiramente interessantes.
O tempo passou, a faculdade acabou e cada uma seguiu sua vida. Duas dessas amigas foram morar juntas e algum tempo depois, na hora de desfazer a republica, a mesquinhez apareceu. A divisao foi tensa, cada uma puxando para o seu lado, uma mais agressiva, fazendo calculos mirabolantes, para nao ser passada para tras, e tentando levar vantagem em cima da amiga. Tiveram também seus problemas durante o tempo juntas, como foi dito mais tarde. E o que impressiona é que as amigas tem, as duas, bons empregos, bons salarios. Gastam os tubos com coisas superficiais. Cito por exemplo ficticio, mas um bom exemplo, o que seria uma bolsa de 600 reais. Mas na hora de dar um presente para o outro amigo, cobrou a mais da Maria para nao pagar 2,50 a mais ela mesma (sendo que a Maria ganha hoje metade do salario dela, literalmente, e ela sabe). E ela acabou de comprar um carro zero. Coisas absurdas nesse nivel. Nao tem outro nome do que mesquinharia.
Desculpem os exemplos muito esmiuçados. Mas o choque é grande.
Varias outras coisas aconteceram nos ultimos tempos que tem levado Maria a uma grande tristeza. Ela repensa em tudo o que passou com as amigas, nas viagens que elas foram junto (por conta da familia) e no que a influencia da familia dela ofereceu para as amigas. E se questiona até que ponto nao era so interesse. Imagino a tristeza dela de pensar assim, de nao ter certeza que as pessoas que a rodeiam realmente se importaram com ela todos esses anos.

Uma frase que me tocou desde sempre é a seguinte: Compartilhar aquilo que te sobra, nunca foi compartilhar, mas sim, dar esmola.
Essa frase esta em uma musica do Alejandro Sanz (que amo!), e sempre penso nela, desde a primeira vez que a compreendi. Porque realmente é facil dar para alguém algo para comer quando ja nao temos fome. Pensamos em nos primeiro, nos saciamos, e so depois o outro tem direito a algo. Mas ai nao ha equilibrio. Se dividirmos na metade, cada um tera um pouco.
Nao consigo conceber como alguém pode ser egoista e continuar vivendo sem remorsos. Nao consigo conceber de fazer coisas desse tipo com ninguém, e fico imaginando que tipo de gente faz isso com os ditos amigos. Melhores amigos.

Mas o que me deixa feliz pela Maria é o seguinte: ja que nao sao bons amigos, melhor que ela soube agora. Melhor agora que ela ainda é jovem, do que passar a vida na mentira, sendo sugada e descobrir na velhice, ou numa eventual pobreza, sei la, bate na madeira; que tudo o que ela passou com os amigos foi ilusao.

Aos poucos na vida vamos evoluindo os pensamentos, as amizades, nosso meio. Uns amigos ficam pelo caminho, outros seguem junto conosco. Para mim e para todos, eu gostaria que os que ficam para tras, fiquem por “coisas da vida”, e nao por acontecer coisas do tipo do que aconteceu com a Maria. Porque assim é muito triste. Decepçao é um sentimento muito intenso. Intensamente triste. Eh como pular de bungee jump de um precipicio e seu amigo cortar a corda la no alto. Eh como se sentir vazio, so uma casca.

Mas infelizmente, a decepçao também é uma “coisa da vida”.

Nao é facil se refazer de uma decepçao.
Estou triste pela Maria, mas estou feliz que estou com ela nesse momento, e que temos pensamentos muito semelhantes sobre como encarar a vida e como é bom poder estender a mao para o outro.
E como diria uma comunidade do orkut: Decepçao nao mata, ensina a viver.
Nao mata, ok. Mas machuca. :(

E você, como descreveria o sentimento da decepçao? O que leva uma pessoa a ser mesquinha? Acha que uma pessoa mesquinha pode um dia enxergar o mundo de outra forma? E a decepçao, como supera-la?

8 de Agosto de 2007

Reflexo da infancia e esperança na humanidade

Publicado por Cris Motta em ...mais que palavras.. idéias..

E por falar em esperança, vi ontem um documentario sobre prisoes de segurança maxima. Mostraram duas prisoes, uma nos EUA, em Utah, e a outra na Africa do Sul, nao me lembro em qual regiao.
Realmente impressionante.
Todas as duas eram tomadas pelas gangues, o pessoal era MUITO violento e MUITO tatuado, inclusive no rosto, era uma coisa chocante de se ver. Falando um pouco do que vi na reportagem: nesse pavilhao, os presos ficam nas celas individuais de 2x3m, de paredes de concreto e portas blindadas, durante 23 horas por dia. A outra hora é um banho de sol, em um lugar nao muito maior que a cela, talvez o dobro do tamanho.. com um muro de uns 4, 5 metros, e la em cima, depois de grades, o sol, quando tem. Eu visitei pessoalmente uma prisao dessas nos EUA, quando morei la e participei de um programa de estudantes do Rotary. Eles queriam nos mostrar como “os americanos tomam conta de quem é fora da lei”, palavras de um cara que nos guiou na “excursao”. Pudemos visitar dentro de alguns pavilhoes, e vimos algumas celas, tudo muito branco, muito protegido. Na verdade pensando hoje nao sei como tive coragem de entrar la, todos os presos estavam fora das celas, e estavam no patio interno, de pé ao lado das celas. Se algum quisesse dar uma de doido e fazer um refém no meio daqueles 30 estudantes, faria facil, facil. Hoje eu nao faria a mesma coisa, de passear no meio deles (por medo e também por respeito, parecia que estavamos visitando um zoologico). Lembrando que quem esta ali, nao esta por um crime bobo, é por trafico, estupro, assassinato, etc. E dentro da prisao, tem uma outra prisao, que é o que eu descrevi ai em cima (isolados 23h por dia). Eles tomam banho 3 vezes por semana, e no inverno e nos dias de chuva eles nao saem das celas para o banho de sol. 24h por dia fechados em 2x3m. Sao 3 refeiçoes por dia, tudo super limitado no sentido de o que pode ter na cela. Nada de garfos, facas, etc. Por isso a refeiçao é sempre sanduiches e o suco que eles bebem vem em um saquinho tipo “chupa-chupa”. Podemos achar exagero, mas quando vemos o que é mostrado como armas caseiras que eles fazem com escovas de dente, haste de oculos.. é doido demais. So para terminar a descriçao nos EUA, mostraram um cara com tendencias suicidas e super violento. Tiveram que o por totalmente pelado, em uma cela sem nada. Nem travesseiro, nem lençol, nem escova de dente, nem nada. So uma cama de cimento e um vaso sanitario de metal (para nao poder ser quebrado) e com vigilancia de camera 24h por dia, sem ter como apagar a luz. Um inferno, nao? Pois bem, ele conseguiu, em uma saida para banho, trazer dentro da boca, uma gilete que pegou do aparelho de barbear e começou a se cortar os pulsos e escreveu F*** YOU na parede com o proprio sangue, mostrando para a camera e rindo. Ele nao morreu, os guardas chegaram e depois ele disse que nao queria morrer, mas ele nao tinha nada para fazer…
O que me marcou nos EUA foi a desesperança. Acho que todos os entrevistados tinham uma pena limitada, ou seja, seriam postos em liberdade depois de um tempo, e todos disseram que nao sabiam o que fariam, pois teriam um numero identificador de ex-criminoso, e também sao cheios de tatuagens em todos os lugares e nao conseguiriam emprego e uma vida normal (eles fazem as tatuagens na cadeia, com a caneta que eles tem direito para escrever.. agulhas feitas por eles e tinta de Bic).
Enfim, eles preferem de um certo modo ficar na prisao, pois perderam a esperança. E acho que o arrependimento bate nessa hora.

Na Africa do Sul tudo é muito mais pobre na prisao, poderiamos dizer mais parecido com uma prisao brasileira. Muita gente junta, ninguém de uniforme (diferente dos EUA), parece mais desorganizado, infelizmente. Mas as gangues estao por toda parte, e sao super organizados. E sao MUITO violentos, contando historias de cabeças cortadas dentro da prisao por diferenças de gangues. Sao também super tatuados, umas tatuagens super toscas, também feitas com tinta de caneta.
O que me chamou a atençao nesse programa que me inspirou foi uma experiencia que eles fizeram nessa cadeia na Africa do Sul.
Uma psicologa foi la para conversar com eles. O que foi super interessante foi que gente de duas gangues diferentes participaram da experiencia e interagiram, o que era teoricamente impossivel. Foram dez dias de atividades, coisa aparentemente boba, tipo se misturarem durante uma musica (eram 20) , e fazer grupo de 5, depois de 4, depois os pares. E trabalhar em pares. E em par, eles desenharam com giz de cera. Outro dia, ela pos musica lirica para eles escutarem e alguns chegaram as lagrimas. Fizeram exercicios de confiança, do tipo de um subir em uma mesa e se jogar, e os outros o pegarem para evitar a queda. Mostraram alguns homens fazendo isso, e eles falaram que nunca sentiram isso antes (a confiança). Um deles nao conseguiu nem falar de tao emocionado. Mas o que me emocionou foi um outro que contou a historia da infancia dele, que ele via todos os outros meninos pulando no colo de seus pais e ele nunca pulou no colo do pai dele, porque o pai nao tinha tempo. A psicologa ofereceu para ele pular com o grupo o recebendo, e ele abriu um sorriso (faltando muitos dentes, como a maioria la) e perguntou “eu posso?”. Dai ele pulou e nao preciso nem contar que ele chorou… e eu junto, claro.
Fiquei emocionada de ver como as coisas vividas na infancia refletem tao claramente na fase adulta. A psicologa falou que esse pessoal nao aprendeu coisas basicas como amor, pedir por favor, dizer obrigado, confiança, amizade, e que se aprenderam, sofreram uma lavagem cerebral das gangues.
Ao final desses 10 dias, viamos os presos com o rosto diferente. Foi impressionante a diferença.
Depois de 20 dias, a psicologa voltou ao presidio para ver como iam os homens que haviam seguido o curso. Um deles admitiu que o plano dele a principio era de mata-la, pois achava que ela queria destruir o poder das gangues.
Outro, que era um senhor de uns 60 anos, o chefe maximo da gangue, que estava na prisao fazia 34 anos, quis dar o seu depoimento. A primeira frase dele foi “O que eu quero dizer para a senhora, é que eu me sinto um idiota”. Ele se sentia um idiota pela vida que havia levado, por todo mal que ele havia feito a tanta gente, a tantas familias, inclusive a dele. E também o mal que ele tinha feito a ele mesmo. E as lagrimas escorriam pelo seu rosto. E aquele senhor que apareceu no começo da reportagem falando que matava mesmo, que mandava matar, ensinou como fazer um estilete de uma escova de dente, e etc; la estava ele, em lagrimas e com vergonha da vida que havia levado.

Me emocionei porque vi que nos piores lugares ainda ha uma esperança. Por detras das pessoas mais crueis pode existir uma criança que nao recebeu amor, que é esquecida e que cresceu sem apoio, sendo levada por outras crianças sem amor. Fiquei pensando que muito do mal que ha no mundo é culpa da ma educaçao que as crianças têm. Falta de apoio, de amor, de incentivo.
E vendo esse curso de dez dias que fez o pessoal tao cruel repensar um pouco sua vida, penso que as pessoas tem salvaçao, que o meio tem muita influencia negativa sobre 99% das pessoas. E influencia positiva também.
Fiquei esperançosa por um lado, mas também pensei na quantidade de gente que poe os filhos no mundo sem um minimo de condiçao, de planejamento, de vontade. E depois essas crianças crescem e culpamos a sociedade e o governo pela violencia.

E você, pensa que os casos aparentemente sem soluçao, de criminosos violentos pode ter soluçao (fora doenças mentais)? Você crê na forte influencia das coisas que vivemos na infancia, refletindo na idade adulta? Você tem esperança na humanidade?

27 de Julho de 2007

De vila a mocinha em mil pensamentos!

Publicado por Cris Motta em ...mais que palavras.. idéias..

E por falar em matar as saudades.. e outras coisas..;) eu estou indo para o Brasil visitar amores e amigos em breve. Amigos que sao amores, familia que sao amores, minha gata que é meu “amore”, meu pais que é meu amor..
Mas ao mesmo tempo deixo meu marido para tras e vou sozinha, “ferver” por um mes.
Quando vi a possibilidade de ir ao Brasil no meio do ano, até chorei de emoçao… tudo o que eu queria era ir para la, estar por la um pouco ao lado de tantos que adoro!
Mas umas semanas atras um sentimento estranho começou a me invadir.. eu vou.. mas um mes… é tanto tempo para ficar longe do meu amor aqui.. acho que vai passar super rapido pra mim, que vou ter mil coisas pra fazer (nem que seja passar tempo com minha gata).. mas e ele? Sozinho, abandonado, etc…e chorei novamente, mas de pré-remorso, vê se pode.. acho que estava de TPM.
Mil coisas na cabeça, inclusive uma ponta de tristeza de ir. Fiquei com isso rondando o pensamento por dias, por semanas.. como é duro estar dividida assim.
Como é dificil “servir a dois senhores, ter dois amores”.
Pensei, pensei..conversei com ele, conversei com outras pessoas.. e vi como era estupido da minha parte tudo isso.. como posso sentir tristeza de fazer algo que estava esperando ha meses!!
Cheguei numa conclusao que me fez bem: decidi viver cada coisa no seu lugar. Feliz aqui, feliz la. Nao posso ficar aqui pensando em outro lugar, e chegar no outro lugar e querer voltar imediatamente. Decidi que tenho que viver a saudade de forma saudavel, senao vou ficar louca!
Tenho que ter os olhos maduros para ver que meu marido pode se virar muito bem sozinho durante um mes, que ele ja morou sozinho e vai estar trabalhando.. e o video game e a internet sao otimas babas eletronicas.;)
Eu estava me sentindo meio mal, meio culpada por ir passear e deixa-lo aqui, mas eu tenho muita sorte, e temos um relacionamento bem resolvido.. vou viajar, vou me divertir, vou para a balada, e volto depois, feliz, renovada, com o coraçao leve!
Claro que vou sentir saudades, mas tudo ao seu tempo. A vida em casal é maravilhosa, mas existe vida também que acontece em paralelo, e nem sempre o conjuge pode ou quer participar.
Ele vai aproveitar e ir no cinema com os amigos ver Transformers, vai comer bobagens, vai ficar falando de joguinhos ou de nao sei la o que com os amigos. Nao importa, o que eu quero é que ele seja feliz todo o tempo.
E eu terei direito a minha noite entre amigas.. tao queridas.. regadas a coca light e vinho tinto (TINTO DOCE PELAMORDEDEUS, que maridex frances acha que é suco de uva :D ). Terei direito a ver MUUUUITO meus amigos que nao sao especialmente amigos dele, e que deixaria ele cheio de tédio.. como fico com alguns amigos dele…rsss
E tenho certeza que isso vai fazer um bem danado para nos dois.

Fiquei feliz que consegui transformar o que era antes um grande problema, com direito a lagrimas e remorsos, em um periodo que sera feliz para os dois. Bastou mudar a maneira com a qual eu enxergava tudo.. e a mesma situaçao se tornou, de vila a mocinha! Viva!

E voce, ja percebeu que uma situaçao dificil, na verdade era uma coisa boa? E ja se sentiu dividida entre uma vontade de partir e o remorso de nao ficar? Como vc encara a “vida paralela” dos casados? Se existe uma vida paralela, é que existe menos amor? (eu acho que nao, mas..diga ai a sua opiniao!)

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