28 de Abril de 2008

Para quem nunca comeu chocolate, nao faz diferença

Publicado por Cris Motta em ...mais que palavras.. idéias..

E por falar em em coisas e pessoas que fazem falta, esses dias atras falei durante horas (literalmente) com uma amiga que mora longe. Haviamos ficado algumas semanas sem nos falar por falta de oportunidade, e tanta coisa aconteceu nesse meio tempo para nos duas que foi uma descarga de assuntos um atras do outro, alguns nem terminados, com a vontade de contar ou perguntar de uma outra coisa.

Fazendo uma comparaçao boba, era como se eu estivesse com muuuuita fome e depois estivesse satisfeita. (Satisfeita naquelas, né.. nenhuma conversa ao telefone substitui o cara a cara com ela, mas vamos levando). Tem pessoas que fazem falta demais no dia a dia, e a vontade do contato vai crescendo com o passar do tempo. Esse é um dos males de ficar mudando de tempos em tempos.

Uma vez conversando com outro amigo que saiu de uma cidade pequena (como eu), ficamos falando que quem ficou por la a vida toda, tinha todos os amigos por perto (fora os que, como nos, saimos) e talvez fosse mais feliz. Chegamos a conclusao que uma vez longe, nao ha como voltar, a se acostumar com um ritmo que nao é mais nosso; e quem esta la nao entende quem saiu, quem nao se sente mais a vontade onde nasceu.
Nao entendem simplesmente porque nao conhecem, e isso é normal para quem nao quer fazer esforços. Quem nunca comeu chocolate, nao sente falta. Simples assim. Mas os chocolatras da vida se sentem em abstinência. Meu amigo questionou se nao seriamos mais felizes se nunca tivessemos saido de nossas cidades, simplesmente por ignorar a existencia de um outro tipo de vida. Porque hoje, com as mudanças, com os encontros, com certeza perdemos muito pelo caminho, apesar de ganhar mais na proxima parada. E todas essas montanhas russas de sentimentos e pessoas e lugares pode ser estressante para muitas pessoas. Mas agora nao consigo viver de outro jeito..
Alias, creio que sempre fui assim, para mim o basico nao da. Em qualquer bobagem, tem que ter um toque que desvie do ordinario.
Me dê um mar bravio, mas nao me coloque em um lago parado.

Nao julgo quem quer o lago, quem nunca comeu chocolate, quem nao gosta de montanha russa…
Existe uma frase em francês que diz: “Tous les goûts sont dans la nature”, que quer dizer que todos os gostos estao na natureza.. o nosso popular “Existe gosto pra tudo”.
Por isso deixo quietos quem quer viver no elevador, em linha reta. Com certeza existe a felicidade na calma. Mas a minha se encontra nos altos e baixos, nas curvas e nas ondas.. e também pode estar no lago..
Mas tive a oportunidade e fiz a opçao de conhecer além, e hoje vivo feliz com a opçao que fiz..

Tenho varios pessoas queridas, em varias partes do mundo.. que me fazem falta no dia a dia.
Conheço varios lugares, varios bares, varios parques e praias que gostaria de ir no final de semana, mas estao muito longe.
Existem varias comidas que experimentei, que nao posso ir comprar no bar da esquina.
Programas de tv, conforto de lugares, clima e temperaturas…

Parece tanta coisa que faz falta, mas ao mesmo tempo eu ganhei e ganho tanto com tudo o que vi e vejo, e aprendo tanto lidando com a falta, que dou valor às coisas que sao verdadeiramente importantes. Lido melhor com o cansaço, se tenho algo importante a fazer, uma oportunidade a nao se perder. Porque sei que as oportunidades se perdem, entao é preciso agarra-las.

E assim vou indo, ao lado de alguém que fez as mesmas opçoes que eu e que partilha (quase totalmente) do meu jeito de ver a vida. E isso é feliz! Para mim a unica tristeza é que as passagens aereas sao tao caras.. Mas mais uma vez, isso me ensina a lidar com as oportunidades. E infelizmente quem nao partilha desse meu modo de ver as coisas acaba perdendo um pouco a ligaçao com a gente.. o que no curso da vida é normal, apesar de doloroso muitas vezes…

E você, é mais adepto do lago ou de um mar bravio? Concorda que quem nao conhece o exterior de sua “bolha” nao sente falta de nada? Acha que é possivel voltar a viver a vida que você vivia aos 15 anos? Acha que vale a pena deixar varios amigos em varios lugares em busca de novidades e novas amizades? Sente sede dos amigos que moram longe? Acha que é possivel ser feliz assim?

10 de Abril de 2008

Você sabe discordar com um sorriso no rosto?

Publicado por Cris Motta em ...mais que palavras.. idéias..

E por falar em boa convivência, o que é mais importante, agradar aos outros ou a si mesmo?
Muitas vezes somos confrontados em situaçoes no dia a dia, nas quais vivemos um impasse.. as vezes é até um pequeno impasse, mas é preciso tomar uma decisao para que a coisa se desenrole.
As vezes é um café a marcar com um conhecido, ou um telefonema identificado pelo celular que nao estamos a fim de responder, uma chamada no msn na hora errada.. coisas bobas. Mas as vezes é uma opiniao contundente, um curso na faculdade, um namorado, um “nao” para alguém importante.
As pessoas, de um modo geral ( e me incluo nelas) convivem perfeitamente bem com os “sim” alheios. Ter pessoas sempre disponiveis e concordantes à sua volta faz bem, é pratico. E isso é uma coisa obvia. Todo mundo gosta.

Mas a partir do momento onde um “nao” surge no caminho, nao temos tendencia a pensar nos motivos do nao. So pensamos como aquela negativa nos atrapalha, independente dos motivos. Alguém que nao pode fazer um favor, que nao esta disponivel para a nossa visita, que nao pode falar com a gente no telefone nesse momento, que nao concorda com a nossa opiniao ou que simplesmente nao esta a fim de fazer algo naquele momento.
Todos temos momentos onde simplesmente nao estamos a fim de fazer nada. Mesmo sem um motivo claro. E nao fazer nada, naquele momento, esta nos fazendo bem. Por que entao deveriamos atender a um capricho de outras pessoas?

(Lembrando que nao estou pensando em situaçoes extremas quando os outros precisam de ajuda, etc).

Por que todo mundo se sente no direito de se ofender de uma opiniao contraria? As vezes me sinto como se eu tivesse que me impedir de dar a minha opiniao, so porque ela vai contra a opiniao da pessoa com quem eu converso. E eu nao quero briga. Muitas vezes eu me calo. Me da preguiça. Eu tenho preguiça das pessoas, como ja dizia uma comunidade do orkut. Nao debato com muitas. Prefiro me calar, e gastar a minha saliva ou a minha digitaçao com pessoas que eu sei que vao me ouvir, me ler. E nao so escutar ou passar os olhos no meu email, sem prestar atençao e continuar com a boa e velha e confortavel opiniao pessoal e imutavel.

Invariavelmente, me afasto. E entendo que se afastem de mim os que nao estiverem de acordo. :) Simples assim. Infelizmente ja ficaram pelo caminho mais pessoas do que eu gostaria, mas como diriam os franceses.. c’est la vie. Eh a vida.

A vida mostra que nao da para abrir espaço para todos, porque todo mundo quer tudo.. e sempre do jeito deles. Opinioes contrarias quase nunca sao bem vindas, o debate inteligente quase inexiste e quem se coloca em seu lugar é quase ninguém. E que a raiva, a explosao e o rancor quase sempre ficam..

Mas graças à vida, o QUASE existe. E nesse quase encontramos uns oasis em forma de gente. As vezes nao sao nem nossos melhores amigos nao.. sao pessoas especiais que ganham minha admiraçao e respeito.. e varios degraus na escada para o meu coraçao. Gente que se respeita, ganha meu respeito. Quem sabe me dizer “nao” de uma forma que nao me ofende, e que nao se ofende com o meu nao, que vê que tudo tem limite.. E como é bom conversar com gente assim.. gente que te ouve e que vê que a vida vai além de picuinhas. Coisa boa! :)

(Quando fui escrevendo esse texto, fui lembrando dos bons exemplos e dos maus exemplos.. citar gente é sempre chato porque esquecemos de algumas.. mas tenho que falar que algumas boas pessoas.. Monica, Karrie, Patry, Katia, Marine..mesmo que quase nenhuma leia o blog –o limite da lingua para algumas– eu tive que pensar nessas meninas com quem posso conversar sem medo de discordar.. porque sei que o que vou levar de volta sera um sorriso e um “eu discordo, na minha opiniao…”. E isso me faz bem.

E você, têm preguiça de pessoas que nao sabem conversar? Se abstém de falar e se afasta de gente assim? Tenta sempre agradar os outros e se frustra? Ou nunca faz concessoes? Você sabe discordar com um sorriso no rosto? :D

1 de Abril de 2008

Consideraçao: nao tao obvio quanto parece?

Publicado por Cris Motta em ...mais que palavras.. idéias..

E por falar em consideraçao com os outros, fico pensando o quanto isso pode e deve ter de influencia na nossa vida.

O que eu pensaria de mim, se fizesse algo que magoa alguém que eu gosto, pelo simples fato de achar que essa pessoa nao deveria se magoar?
Se na minha cabeça, o que eu faço é certo, e o outro sofre sem que eu concorde com a razao do sofrimento, o que é melhor fazer?

Sera que devemos parar de fazer o que achamos certo? Mas dai deixariamos de ser nos mesmos, estariamos seguindo a opiniao de outra pessoa. Mesmo sendo uma pessoa amada, querida, da qual ouvimos e nos importamos com a opiniao, seria como se apagar na atuaçao da propria vida.

Entendo que muitas vezes existe um meio termo, onde a conversa é possivel e talvez um ponto comum seja atingivel. Mas quando nao ha meio termo, é “sim” ou “nao”, e a situaçao é importante, o problema cresce.

Porque certamente nao havera a felicidade total para nenhuma parte.

A parte que vai fazer o que quer, se sente mal com a tristeza do outro, que sofre porque o primeiro nao se preocupou tanto a ponto de parar sua atitude. E começam a questionar o amor, o carinho, a consideraçao. E isso pode fortalecer ou dissolver uma relaçao.
Digo que pode fortalecer no sentido que podemos ver que ha amor apesar das diferenças de opiniao. Mas também podemos ver pelo lado que nao existe semelhanças suficientes para manter o amor.

Creio que é um impasse que tras muito questionamento a respeito das pessoas e a respeito do que fazemos.

Eu sei que eu ajo de acordo com o que eu penso na maioria das vezes, e penso “sinto muito” para os outros que sofrem com isso. Os outros sofrerem me deixa triste, mas me deixaria mais triste eu deixar de fazer o que quero. Sempre procuro um caminho que seja mais brando para os outros, sem deixar de buscar a minha felicidade.

E é facil para mim agir assim. Mas como é dificil quando os outros o fazem!!
Mas entao sofro um pouco, reflito e vejo que eles têm razao. E que se eu nao estiver feliz com isso, tenho o direito de me afastar, de cortar laços, de chorar, de sofrer.
Mas tenho a obrigaçao de respeitar. E é isso que eu estou tentando fazer.


E você, se ofende com esse tipo de situaçao? Você muda as suas atitudes por causa da opiniao de alguém importante, mesmo se a sua escolha for importante para você? Voce acha que viver de acordo com o que os outros te dizem de fazer, é se apagar, mesmo se é uma pessoa que você ama? Você respeita quem faz o que você também faz, quando isso te machuca?