21 de Fevereiro de 2008

A inércia alheia me faz mal.

Publicado por Cris Motta em ...mais que palavras.. idéias..

Oi pessoal, desculpe a ausência.. finalmente estou eu aqui depois de quase 3 meses sem escrever.. Me desculpo com quem veio aqui e não tinha nada de novo.. sei como é chato começar a seguir um blog e depois vê-lo abandonado. Estou de volta a França e tenho a intenção de não deixa-lo tanto tempo assim parado.
Todo esse tempo fora daqui pensei muito em muitas coisas para escrever, a cabeça fervilhou no Brasil e pouco a pouco vou colocar no blog um pouco do que andei filosofando sozinha e com amigos…
Para ilustrar um pouco o post e o meu amor por Mário Quintana, ponho aqui um verso dele:

DO PRANTO

Não tentes consolar o desgraçado
Que chora amargamente a sorte ma.
Se o tirares por fim do seu estado,
Que outra consolação lhe restara?

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E por falar em assumir as conseqüências, andei muito incomodada com reclamações de um modo geral. Sabe aquele tipo de gente que reclama incessantemente, mas não faz nada para mudar? E que sofre as conseqüências de suas ações, mas se recusa, mesmo assim, a mudar de atitude, postura, opinião?
Tudo para eles parece ser tão difícil, tão imóvel, tão imenso. Quando na verdade não é. As pessoas parecem que se criam problemas para ter do que reclamar depois, de como a vida é difícil e etc. Eu mesma já me peguei nessa lógica de auto-piedade, mas quando vejo qualquer faisca desse sentimento, já fico com raiva de mim mesma, e me mexo para mudar a situação. Muitas vezes a situação é difícil mesmo, mas algo precisa ser feito. Aos poucos? Tudo bem, mas a inércia imóvel é intolerável. Para mim. Para eles, nao, faz parte da vida.
Por isso o convívio as vezes é insustentável com gente que vive nesse circulo vicioso. Porque parece que as pessoas não querem sair disso.. não ouvem opiniões de fora, não tem novas idéias, não procuram novos caminhos. Caminhos que dependem as vezes de apenas um “nao” ou um “sim”.

Como se um ratinho de laboratório ficasse levando choques em permanencia para tentar pegar um queijo, e não desistisse, na esperança que o choque parasse. Mas o choque não para. E não para mesmo, não existe queda de energia no laboratório, eles tem gerador. O choque só para se o mundo acabar. Mas dai não adianta mais nada para ninguém..

E dai você tenta mostrar que podem existir outros meios diferentes, melhores.. Não tenho as respostas para o problema de todo mundo, só gostaria que as pessoas tentassem ver de um outro jeito, que mudassem as tentativas para que o resultado que os incomoda fosse diferente.

Mas não. Elas realmente não querem mudar, parece que querem continuar a sofrer para ter do que reclamar. Talvez inconscientemente. Me dirão: você ta louca, você acha que eu quero ter problemas, eu quero é ser feliz. Mas não fazem um esforço, uma mudança, e isso me deixa doente.

Eu cansei.

Não vou mais abrir minha boca para dar opiniões que eu sei que não serão bem vindas, nem aceitas, nem postas em pratica, nem experimentadas ao menos. Demorei 30 anos, mas aprendi que tem coisas que tem que ser aceitas, e essa é uma delas. A inércia alheia. So vou me afastar dessas situaçoes, nem digo das pessoas, mas de situaçoes que me confrontem com o conformismo. Não vou me envolver mais em problemas que não são meus se não me pedirem opinião.. e se pedirem, vou refletir antes de da-la. Porque não quero gastar saliva para o vento. Não digo que as minhas idéias são as melhores, o que eu digo é que não adianta pedir opinião aos outros se no fundo você sabe que fará exatamente como já havia planejado. Isso para mim é desperdício de idéias e preocupação. Cansei de me preocupar e sofrer pelas mazelas alheias e ninguém fazer nada a respeito, so eu tentar mudar, e os outros se sentarem a mesa para reclamar, sendo essa a unica atitude.

Ficam imóveis e depois sofrem. O que posso fazer? Sinceramente, é tempo de assumir a responsabilidade por nossa inércia, por nossas ações e tudo o que fizemos no passado. Não posso salvar o mundo, mas posso estender uma mão e sempre o fiz, e vou continuar fazendo, é a minha natureza. Mas só se for para que a pessoa se levante, e não para que ela me puxe para baixo, para seu poço de reclamações e marasmo. Se for para ir para o poço, obrigada, mas eu passo.

Sei que passarei uma imagem de esnobe talvez. E isso talvez seja imediatamente ligado ao fato de “ter ido para a França e ficado metida, bla bla bla”. Mas sabe o que? Estou pouco me importando com tudo isso. Quem me conhece sabe como sou, e vou viver finalmente do jeito que eu acho melhor, mais sério e correto. Ajudar quem quer ser ajudado. Fora isso, vou viver a minha vida ao lado dos amigos que têm problemas sim, mas que querem e tem coragem de se livrar deles e arranjar algo mais interessante para fazer da vida do que se lamuriar.

E você, esta dentro ou fora do poço das lamentações? Aceita repensar suas opiniões quando nada esta dando certo? Ou insiste na idéia mesmo que isso te leve eternamente a dar cabeçadas na parede? Acredita que as vezes é melhor largar a mão de alguém para ajuda-lo desse jeito? Conhece os lamentadores profissionais? Você é ou já foi um lamentador profissional? A vida não é muito melhor quando tomamos uma atitude? :D