29 de Novembro de 2007

Você conseguiu se mudar da casa onde nasceu?

Publicado por Cris Motta em ...mais que palavras.. idéias..

E por falar em saudade, irei ao Brasil em breve, e estou muito feliz.. nem parece que faz so 3 meses que estive la.
Falando de saudade, hoje recebi aquele email antigo, falando da saudade mais dolorida, que é a saudade do amor.. esse email é triste de doer e sempre me deixa melancolica. Mesmo sendo feliz hoje em dia! : ) Coisas de romantica. Coisas de artista, diria meu marido.
Mas nesse texto fala das saudades que temos de lugares, e por consequencia de pessoas.

Tenho saudade de muitos lugares que fui. Saudade do meu quarto de uns 25 metros quadrados e banheiro comunitario onde morei com uma amiga maravilhosa durante o melhor ano da minha vida em um dormitorio nos EUA, saudade das ruas de Cingapura (cheias de shoppings), saudade da cantina do Instituto de Artes da UNICAMP, saudade do nosso apartamento em Sao Paulo, saudade da “lanchonete” onde iamos na adolescencia em Sao Lourenço.. (cada lugar que lembro, um suspiro). Mil outros lugares vem a mente, numa corrente feliz. Feliz porque apesar de nao poder ir mais a alguns desses lugares, fico feliz de ter ido e vivido tudo isso (e ir hoje nao é a mesma coisa, nos lugares que ainda poderia ir).

Mas existe um pequeno poema de Mario Quintana, que me chamou muito a atençao. O poema se chama: “Quem disse que eu me mudei?”

“Não importa que a tenham demolido:
A gente continua morando
na velha casa em que nasceu”.

A casa onde eu nasci nao foi demolida, mas hoje em dia nao tem nada a ver com o que era: hoje em dia é uma escola de informatica, e o grande pomar* que tinhamos foi todo destruido e uma pista de skate foi montada no lugar.

(*com arvores de : abacate, figo, roma, goiaba vermelha e branca, jabuticaba, manga, caqui, pessego, mamao, tangerina, um pinheiro, palmeiras, além de muitas flores)

Esses tempos atras sonhei com esse quintal.. e era hoje em dia! Eu estava la com o meu marido, mostrando as arvores para ele.. eu ainda lembro o caminho das arvores, e ja faz 21 anos que sai daquela casa!
Quando acordei, lembrei do poema e pensei que precisava escrever!

Sera que eu continuo morando la? Sera que sou a mesma da infancia? Sera que a gente realmente nunca deixa as origens para tras?
Eu viajei bastante, vi lugares e pessoas diferentes do que eu conheci naquela época. Tenho certeza que tudo o que passei teve uma influencia importante na minha vida, na minha aparencia, na minha personalidade..

O que sera que ainda ficou de mim daquela época?

Sera que conseguimos evoluir guardando coisas do passado? Eu creio que sim, sabendo fazer a boa distinçao entre o que realmente vale a pena e o que é para ficar no passado, guardadinho. E isso é crescer, nao é mesmo?

E você, o que guardou da infancia? Ainda guarda alguma coisa que gostaria de “se livrar”? E do que tem orgulho de manter na sua personalidade desde aquela época? E voce continua a viver na velha casa onde nasceu? (pelo menos sente isso de algum modo?)

15 de Novembro de 2007

Concreto:sob ou sobre seus pés?

Publicado por Cris Motta em ...mais que palavras.. idéias..

E por falar em força interior, aquela força que vem do nada e que nem sabiamos que tinhamos, digo que estou muito feliz.
Feliz por ver que essa força existe em todos, e que faz parte do nosso aprendizado aprender a domina-la e coloca-la para fora. As experiencias pelas quais passamos nos dao a possibilidade de crescer, e ver que, no fim as dificuldades eram material para a construçao de algo mais concreto.

Para a força interior, em alguns momentos, me vem a imagem de uma ponte, que liga dois precipicios. Aquelas pontes estilo Indiana Jones, de madeira e cordas.. que balança, vai para la e para ca com o vento. Nao damos nada por ela, acreditamos que essa ponte nao é capaz de aguentar nem uma tempestade mais forte…que ela pode se romper a qualquer momento. Essa imagem que temos de nossa força interior muitas vezes se reflete no exterior, e parecemos, aos olhos dos outros, frageis, vulneraveis, voluveis. Quem nos ama teme por nosso equilibrio, por nossa integridade emocional. Eles tem bem razao em muitas vezes em temer por tudo isso. Nos mesmos temos medo que algo nos aconteça, por temer que desabemos.

E entao, quando menos esperamos (porque as coisas ruins nao dao aviso na maioria das vezes), acontece o que temiamos, e nos vemos face a uma situaçao que imaginamos nao conseguir enfrentar.

Pode ser a morte como o seu primeiro significado, ou a morte de um amor (que continua vivo, mas distante), de uma amizade, da confiança em alguém, a morte de nossa saude perfeita, a morte da saude perfeita de um proximo, de um emprego. Digo morte no sentido de fim, porque é assim que sentimos quando algo muito importante nos escapa: sentimos que alguma coisa morreu.

Nesse momento poe-se em teste a ponte. Com suas madeiras tao frageis…

E de dentro de nao sei onde, nao sei de dentro de nos mesmos ou do ambiente em ebuliçao, e com uma força igual ou maior e contraria ao que nos atinge, vem o nosso poder de reagir.

E a ponte, que outrora nos parecia tao vulneravel, reaparece fortalecida, de concreto, de aço, e capaz de suportar qualquer dificuldade que se apresente. A ponte continuara la, para nos conduzir ao outro lado do problema, em segurança. Muita tempestade pode passar, a ponte pode até balançar (como os predios no Japao! :) ), mas ela nao caira.. no final das contas, tudo estara bem, e nos sentiremos ainda mais fortes para enfrentar o que aparecer.

Cada problema é um pouco de concreto que vem construir nossa ponte. Cabe a nos colocar esse concreto no lugar correto, nao no nosso caminho, mas sob o nossos pés.

E você, qual é a imagem que tem da sua força para enfrentar grandes problemas? Você se sente exausto ou revigorado quando sai de uma situaçao dificil? E onde você coloca o concreto de suas dificuldades?