A vida apos a decepçao de Maria
E por falar em tristeza, so sabemos o quanto nos doi uma decepçao quando temos uma. E depois parece que esquecemos um pouco, até a proxima cair nos nossos pés.
Bem, dessa vez nao aconteceu comigo, mas com uma pessoa bem proxima, e por isso estou sentindo meio que na pele a decepçao dessa pessoa com alguns amigos. De repente (como diria Vinicius: nao mais que de repente) um botao foi apertado e a cortina caiu, e o que se viu foi um pequeno show de horrores.
Mesquinhez.
Uma das qualidades que mais admiro nas pessoas é a solidariedade, o estender da mao, o sentimento que somos todos um, e que nessa corrente, se todos nos juntarmos, iremos mais longe, seremos mais fortes.
E a mesquinhez vai contra tudo isso. Ela quer tudo para ela, ela pensa no proprio bem, e nao se importa com quem esta a sua volta. E isso é um defeito horroroso. Quando fico sabendo de alguma historia nesse nivel, sempre me choca.
E quando fiquei sabendo dessa historia, fiquei enojada. Porque a mesquinharia saiu dos grandes amigos da vida dessa pessoa. Aquelas pessoas que passaram anos ao seu lado, e de repente você se vê na posiçao de questionar todos os momentos que passaram juntos e perguntar: sera que era interesse puro?
Essa pessoa, que vou chamar de Maria, para facilitar de contar a historia, tem uma familia que antigamente se diria “bem de vida”. Os pais de Maria tinham uma certa influencia, e por conta dessa influencia, suas amigas conseguiram coisas como viagens, estagios e oportunidades interessantes de crescer financeiramente e culturalmente. Maria encarava tudo isso com grande felicidade, por ver que ela e suas amigas estavam virando adultas cheias de coisas legais para contar, experiencias enriquecedoras e mesmo superficiais, mas sempre financeiramente interessantes.
O tempo passou, a faculdade acabou e cada uma seguiu sua vida. Duas dessas amigas foram morar juntas e algum tempo depois, na hora de desfazer a republica, a mesquinhez apareceu. A divisao foi tensa, cada uma puxando para o seu lado, uma mais agressiva, fazendo calculos mirabolantes, para nao ser passada para tras, e tentando levar vantagem em cima da amiga. Tiveram também seus problemas durante o tempo juntas, como foi dito mais tarde. E o que impressiona é que as amigas tem, as duas, bons empregos, bons salarios. Gastam os tubos com coisas superficiais. Cito por exemplo ficticio, mas um bom exemplo, o que seria uma bolsa de 600 reais. Mas na hora de dar um presente para o outro amigo, cobrou a mais da Maria para nao pagar 2,50 a mais ela mesma (sendo que a Maria ganha hoje metade do salario dela, literalmente, e ela sabe). E ela acabou de comprar um carro zero. Coisas absurdas nesse nivel. Nao tem outro nome do que mesquinharia.
Desculpem os exemplos muito esmiuçados. Mas o choque é grande.
Varias outras coisas aconteceram nos ultimos tempos que tem levado Maria a uma grande tristeza. Ela repensa em tudo o que passou com as amigas, nas viagens que elas foram junto (por conta da familia) e no que a influencia da familia dela ofereceu para as amigas. E se questiona até que ponto nao era so interesse. Imagino a tristeza dela de pensar assim, de nao ter certeza que as pessoas que a rodeiam realmente se importaram com ela todos esses anos.
Uma frase que me tocou desde sempre é a seguinte: Compartilhar aquilo que te sobra, nunca foi compartilhar, mas sim, dar esmola.
Essa frase esta em uma musica do Alejandro Sanz (que amo!), e sempre penso nela, desde a primeira vez que a compreendi. Porque realmente é facil dar para alguém algo para comer quando ja nao temos fome. Pensamos em nos primeiro, nos saciamos, e so depois o outro tem direito a algo. Mas ai nao ha equilibrio. Se dividirmos na metade, cada um tera um pouco.
Nao consigo conceber como alguém pode ser egoista e continuar vivendo sem remorsos. Nao consigo conceber de fazer coisas desse tipo com ninguém, e fico imaginando que tipo de gente faz isso com os ditos amigos. Melhores amigos.
Mas o que me deixa feliz pela Maria é o seguinte: ja que nao sao bons amigos, melhor que ela soube agora. Melhor agora que ela ainda é jovem, do que passar a vida na mentira, sendo sugada e descobrir na velhice, ou numa eventual pobreza, sei la, bate na madeira; que tudo o que ela passou com os amigos foi ilusao.
Aos poucos na vida vamos evoluindo os pensamentos, as amizades, nosso meio. Uns amigos ficam pelo caminho, outros seguem junto conosco. Para mim e para todos, eu gostaria que os que ficam para tras, fiquem por “coisas da vida”, e nao por acontecer coisas do tipo do que aconteceu com a Maria. Porque assim é muito triste. Decepçao é um sentimento muito intenso. Intensamente triste. Eh como pular de bungee jump de um precipicio e seu amigo cortar a corda la no alto. Eh como se sentir vazio, so uma casca.
Mas infelizmente, a decepçao também é uma “coisa da vida”.
Nao é facil se refazer de uma decepçao.
Estou triste pela Maria, mas estou feliz que estou com ela nesse momento, e que temos pensamentos muito semelhantes sobre como encarar a vida e como é bom poder estender a mao para o outro.
E como diria uma comunidade do orkut: Decepçao nao mata, ensina a viver.
Nao mata, ok. Mas machuca.
E você, como descreveria o sentimento da decepçao? O que leva uma pessoa a ser mesquinha? Acha que uma pessoa mesquinha pode um dia enxergar o mundo de outra forma? E a decepçao, como supera-la?