5 de Agosto de 2008

Falando com os olhos e os dentes! :D

Publicado por Cris Motta em ...mais que palavras.. idéias..

E por falar em se impressionar, eu (re)descobri que a coisa que mais me impressiona, positivamente e negativamente, sao as pessoas, seus olhares e seus sorrisos.

Como hoje estou sem vontade de falar de coisas ruins, vou falar so do que me impressionou em contatos humanos e como isso me tocou na vida toda.

O ultimo “evento-humano” foi na verdade um choque. :D Fui a um show aqui na França, e o show foi otimo,etc. A energia do cara no palco ja foi uma amostra de algo que eu gosto, a vida. Encurtando a historia, fiquei cara a cara com o cantor depois do show, naquela de fã pegando autografo, e o olhar dele me impressionou. Tirando de lado o fato que ele é uma *graça* e tudo o que isso implica, o fato dele olhar direto assim, dentro dos olhos me chacoalhou. rss..ficou a impressao que ele viu as sinapses do meu cérebro faiscando… :D :D :D E isso sinceramente me impressionou nao pelo fato dele ser artista, etc, mas pelo olhar.Nao foi so pra mim, é o modo dele olhar as pessoas em geral pelo jeito. E para mim, se fosse o atendente de uma loja, uma pessoa na rua, um amigo que ja conheço faz tempo, sem nenhuma conotaçao sexual ou coisa do genero, como ja foi outras vezes o caso, seria impressionante do mesmo jeito. E a sensaçao depois é muito boa. Poucas coisas sao tao boas quanto uma conversa com um olhar assim. Qualquer assunto fica interessante, qualquer hora é uma boa hora, tudo é muito melhor.

Entao me dei conta que faz um bom tempo que eu nao me choco positivamente com as pessoas. Tive uns casos de amizade a primeira vista, mas o ultimo ja faz tempo.. e isso faz falta. Esse olhar, essa impressao boa.. e olha que eu conheci muita gente de varios lugares nesses ultimos anos. Muitos amigos queridos, mas a sensaçao enebriante…nao.

Um desses episodios doidos, que foi bem marcante, foi uma amiga com quem morei na época de faculdade (a principio seria por 10 meses, depois acabou sendo 2 anos e meio). Nos conhecemos com um aperto de mao em uma terça feira, mas a amizade caiu tanto como um raio nas nossas cabeças, que na sexta à noite ja estavamos chorando abraçadas falando que seria horrivel o dia que teriamos que nos separar. E dois anos e meio depois, foi horrivel mesmo..e é ruim até hoje a distancia. Ela é uma pessoa que me marcou muito. Posso dizer que ela é uma das duas pessoas mais generosas que eu conheço no mundo. Com ela aprendi muito, e na verdade vi que o que eu aprendi era tao obvio que eu fiquei com vergonha de nao praticar tanto isso antes. Para ela, quase nada é “dela”. Eh uma coisa coletiva. Seja de roupas, maquiagem, dinheiro, doces, o carro dela, a familia dela, os amigos, brincos. Quando mando presentes para ela, ela sempre divide com os outros, para que os outros se sintam amados e lembrados também. O prazer dela é o dos outros. O sentido dela de coletivo é tocante. Ela é do tipo de pessoa que nao esconde o chocolate quando chega alguém, é aquela que oferece a ultima bala que tem, o melhor vestido dela, que ela acha que vai ficar bem em voce.. Apesar de termos tido problemas de relacionamento como todo mundo (pelos quais eu me desculpo até hoje), ela é alguém que tem uma luz e que me faz falta no dia a dia. Ela é uma pessoa que pode nao concordar com você, e te fala isso, mas te escuta, te aconselha e te consola, sem ser conivente com o que acha errado. Eu a amo muito e isso tudo me impressiona.. porque nao é comum.

Ainda um pouco sobre as amizades à primeira vista (eu tive mais de uma.. existe uma japonesa na minha vida que foi assim, outro relampago na minha cabeça!!), por outro lado é até bom que nao sejam tao numerosas.. acho que damos mais valor às coisas mais raras ainda.. Amigos ou amores. Amores a primeira vista sao tudo de bom!!! Alguns podem até nao durar, mas como sao bons de aproveitar enquanto duram!

Estando na França eu aprendi que o sorriso pode chocar. Positivamente, por enquanto. ;)

Comecei a fazer academia faz pouco tempo, e claro que nao conhecia ninguém. Mas isso nao me impedia de chegar sorrindo na academia. E depois de algumas semanas eu percebi que chegar sorrindo fazia a diferença para eles, que falam : Você esta sempre sorrindo.. :D . Claro que a opiniao do meu marido é que sao caras que estao me cantando ( e ele se diverte com isso), mas tenho certeza que é mais do que isso. Comecei a reparar nas outras pessoas da academia, e vi que as pessoas que me falaram isso sao as que sorriem também e me chamam a atençao! E as outras.. umas caras feias, ou somente distantes e nao sorridentes. Talvez sem maldade, mas sem graça também. *Muita gente sem graça..* entao com certeza um sorriso gratuito deve até assustar.. ou pelo bem, achando que eu sou simpatica, ou pelo mal, achando que eu sou uma retardada. :P Sinceramente nao estou nem ai para quem nao sorri. Nao insisto na simpatia com gente grossa, mas tento nao começar mal.

Espero que eu tenha sobre alguém o impacto positivo que eu tive com aquele olhar depois show. Comecei a prestar atençao nisso depois desse dia.. e as pessoas nao olham mesmo direto nos olhos.. Seja por falta de interesse ou seja por achar agressivo, ou por timidez. Uma pena, tanta coisa boa poderia vir disso..


E você, olha nos olhos? Gosta de gente que te olha nos olhos? Tem lembranças de eventos especificos onde um olhar te marcou? Ja teve amizade à primeira vista? Acha que um olhar vale mais do que mil palavras?

11 de Julho de 2008

Rever e adaptar para crescer!

Publicado por Cris Motta em ...mais que palavras.. idéias..

E por falar em uma segunda (propria) opiniao, você ja parou para pensar que a idéia inicial que você tinha de alguma coisa pode estar errada? E que você pode mudar essa idéia sozinho, sem que ninguém tenha que te convencer do contrario? Que para isso basta que você se dê uma segunda chance?

Essa maxima pode valer para muitas coisas. Para mim ela ficou mais clara e (vergonhosamente) obvia com uma bobagem: eu havia procurado aqui pelo bairro, como quem nao quer nada, uma costureira. Na verdade fui la com meu marido para ele consertar uma calça dele e eu fiquei com aquilo na cabeça, que eu precisava levar meus jeans la um dia.. mas quando eu lembrava da costureira, pensava que era looonge (mesmo sendo na minha rua). E nunca animava para ir la, fiquei com essa idéia de longe + desanimo.

Comecei a fazer academia faz umas 3 semanas.. A academia é a um quarteirao de casa.. e quando falta 5 minutos para começar a aula eu saio correndo daqui e chego la a tempo de passar no vestiario e ainda pegar o aquecimento da aula. Bem. A costureira é umas 3 portas ANTES da academia, e eu nunca tinha me dado conta que é TAO perto de casa assim. Fiquei abismada como eu havia registrado na minha mente que era longe.. quando na verdade é a um pulo daqui. Fiquei com vergonha de mim mesma.. e é logico que quando acontecem umas coisas assim, começamos a pensar: e se varias outras idéias que eu registrei também sao errôneas?

hummmm.. a refletir.

Seguindo a linha “vai ver que eu me enganei”, testei ir e voltar de bicicleta até a praia. A idéia inicial era que eu nao gostaria, mas resolvi testar. Tirando o fato que fazia anos que eu nao andava de bike e que sou meio desastrada e preciso de mais força nos braços e pernas (que a academia vai me dar), foi uma experiencia legal. Eh moderno (esse sistema de bicicletas alugadas self-service), é ecologico, é saudavel e com o transito do final de semana aqui, é mais rapido que ir de onibus. Claro que nao sou super esportista e nao vou virar adepta incondicional de um dia para o outro, mas estou feliz que dei uma segunda chance a alguma coisa que eu nao tinha tanta certeza, e dei uma refrescada na minha opiniao.

Porque eu acho que as opinioes também envelhecem e muita coisa merece uma nova chance. Talvez as pessoas também. Idéias de anos atras podem ser mudadas sem receio de se parecer voluvel. Eu tenho varias opinioes que eu creio que nao vou mudar, que sao idéias bem pensadas, organizadas e tudo mais. Mas tenho certeza que nao sou a dona da verdade e que posso estar errada. Mas defendo minha posiçao com meus argumentos. Se alguém me convencer ou se a vida me mostrar que eu estava enganada, posso mudar. Claro que temos tendencia a nos agarrarmos à nossas idéias antigas, ja conhecidas, ja exploradas e aceitas por nos mesmos. E que quando uma nova possibilidade chega, pode ser assustador, mas podemos encarar também como uma renovaçao necessaria. O mundo muda e eu nao tenho a pretensao de ja saber de tudo, apesar de saber de varias coisas. Eu cresci e vi minha opiniao e gosto mudarem através dos anos. E minha maior tristeza é ver tantas pessoas com as mesmas idéias sobre os outros e sobre a vida, que eles tinham ha 10, 15 anos atras. E nao é por convicçao nas idéias, é pelo simples comodismo de nao pensar que pode ser diferente, pela pretensao de achar que esta sempre certo.

Isso é uma coisa que eu aprendi vindo morar fora da minha cidade natal, e depois do Brasil e conhecendo gente de todos os lugares. Existem muitas opinioes interessantes, e modos de se ver e viver a vida diferentes do meu. Com tudo isso eu formei um modo so meu de ver as coisas, baseado na experiencia e no respeito: respeito aos outros e exigindo respeito ao meu modo de ver as coisas. E esse modo é passivel de adaptaçoes. Que so me trazem mais certeza que estou no caminho certo.

Porque apesar de viver sobre bases construidas desde que eu nasci, eu vivo o hoje, nao o ontem, e a adaptaçao para mim significa crescimento.

E você, se da uma segunda chance para formar suas opinioes? Tem certeza absoluta que nunca mudara suas opinioes? Tem medo de ser voluvel ao muda-las? Ja teve alguma idéia da qual tinha certeza e que depois nao era aquilo o que estava pensando? Teve alguma agradavel surpresa ao retentar algo? ;)

1 de Julho de 2008

Totalmente desnecessaria e ao mesmo tempo imprescindivel..

Publicado por Cris Motta em ...mais que palavras.. idéias..

E por falar em parcerias, sera que sabemos a hora de abandonar uma parceria que nao funciona mais? Sera que nao é melhor simplesmente deixar a vida ser como é e nao insistir em algo que so é verdade na nossa cabeça?

Existe um ditado em ingles que fala: “It takes two to tango”. Traduzindo literalmente, diz: Duas pessoas sao necessarias para dançar um tango. Em português diriamos: “Quando um nao quer, dois nao fazem”. (Mas eu acho a frase em ingles mais sonora ;) ).

Quando falo parcerias, digo tudo o que se pode se ter a dois: uma sociedade, um casamento, uma amizade, um grupo de estudos, um namoro, um noivado, um tico tico no fuba, uma parceria em familia (que as vezes é mais do que uma amizade).
Quantas vezes eu ja me vi investindo em uma relaçao muito mais do que a outra parte.. so porque EU achava que a relaçao era tao importante, tinha tudo para dar certo, que nao seria normal se fosse de outra forma, que seria tudo otimo se eu me dedicasse integralmente.. para ver depois de um tempo (e me esforçando e me forçando a ver) o que eu nao queria enxergar: que simplesmente aquela relaçao nao tinha a mesma importancia para o outro do que para mim. Para o outro, era menos importante, era mais corriqueiro. Menor.

E dai, quantas vezes eu ja nao briguei exteriormente e interiormente com eles, que se cercam de pessoas que eu acho ruins, que amam e se relacionam com pessoas que eu acho que nao tem nada a ver, que constroem relaçoes autodestrutivas (a meu ver) com amigos que nao me agradam.. ao inves de me amar, de ser meu amigo, de querer fazer par comigo, de querer sempre meus conselhos, minha ajuda, de querer me ajudar quando eu preciso… eu que sou tao mais legal, mais bonita, mais interessante, mais equilibrada, mais sensata, mais, mais, mais, mais.. :o :o :o :o

Ai é o momento do raciocinio onde tudo tem que parar! A analise exterior tem que começar.

Bem, esse “eu sou mais” é uma opiniao totalmente parcial e particular.. Eu posso ser a melhor pessoa do mundo. Na minha opiniao. (E eu espero que cada um se ache bom, ou faça as coisas da maneira na qual acha certo para a propria vida). Mas essa é uma opiniao individual, e eu nao posso forçar ou esperar que ninguém tenha a mesma opiniao que eu, sobre eu mesma.

Ficamos decepcionados com a atitude de tanta gente, quando nao recebemos em troca tudo aquilo que demos.. mas muitas vezes nos fazemos ilusao sozinhos a respeito do que receberiamos.. nao houveram promessas, nao houveram contratos. Em relacionamentos, sentimentos, nao ha papel ou laço sanguineo que faça prevalecer a nossa vontade.. nao existe Corte Suprema para julgar uma causa assim.. Entendo a decepçao, entendo a vontade de que as coisas aconteçam de um outro modo, que a pessoa em questao dê o valor que merecemos (ou pensamos merecer). Mas cada um sente as coisas de um jeito unico.. ninguém se força a ser amigo sincero de ninguém e eu nao gostaria de ter pessoas que se forçam a serem meus amigos por uma razao ou por outra.. Varias pessoas ja foram riscadas da minha lista de confiança ha tempos.. mas quem culpar? Eu, que esperei de volta o que dei? Ou quem nao me deu de volta o que eu quis? Existe uma culpa? Eu acho que nao. Existe a tristeza, a sensaçao de fracasso até. Mas culpa?…

Temos que perceber que as vezes nos iludimos.. Que nem todo mundo tem o carater que gostariamos, mesmo que sejam pessoas que amamos muito.. E que por isso mesmo devemos nos policiar para nao nos fazermos mal, construindo limites para o envolvimento, ou simplesmente acendendo a luz e vendo claramente no que se baseia a relaçao. Eu nao quero ser dependente de alguém e nao quero que a pessoa seja dependente de mim. Eu quero estar junto dela porque a gente se faz bem e é feliz assim.. Nao quero ter poder sobre ninguém, quero ser totalmente desnecessaria e ao mesmo tempo imprescindivel.

It takes two to tango. E eu nao estou disposta a ficar dançando um tango capenga, sozinha..
Entao, analiso bem as pessoas com quem posso contar, que sao meus pares de tango nesse baile e ligo o som..

Decepçoes? A partir da segunda decepçao na minha vida, digo: nao foi a primeira, e nao sera a ultima. E sigo em frente! Doi, mas é a vida. E eu sou responsavel pela minha. E so.

E você, percebe quando investe mais nos relacionamentos do que a outra pessoa? Consegue se livrar de uma relaçao sanguessuga? Sabe dizer NAO quando alguém importante pra voce, porém somente interesseiro, te pede algo? Você sabe onde esta o botao para acender a luz, para ver o relacionamento claramente? Ou você prefere nao saber?…

ps: Mesmo quando voces nao comentam aqui, fico feliz de ver os numeros das visitas aumentando e uns comentarios no orkut as vezes. Obrigada! :)

13 de Junho de 2008

O tamanho de nossos calos e dos problemas na China

Publicado por Cris Motta em ...mais que palavras.. idéias..

E por falar em relatividade :D , qual o tamanho real das coisas? Parecem maiores quando acontecem para nos do que quando acontece para os outros? E qual o papel do tempo no tamanho das coisas que acontecem pra gente?

Olhando para tras hoje, eu vejo muitas coisas que eram grandes problemas, grandes duvidas, grandes empecilhos e hoje em dia ja estao superados, ja encontrei a resposta para muitos deles, e posso até nao ver qual era o problema a respeito disso que eu havia na época.
Sou uma pessoa extremamente passional no que se diz respeito aos sentimentos. E muito racional no que diz respeito a açoes. Isso quer dizer que eu posso sofrer bastante, mas geralmente escolho o que eu acho certo, tentando nao pensar tanto no que estou sentindo. E tenho bastante orgulho de alguns momentos da minha vida onde a razao predominou. Mas tenho que admitir que os momentos onde a paixao predominou foram muito mais divertidos.. ;) E faço questao de guardar varios momentos desses para a minha vida agora, sempre. Ser racional a toda hora é muito chato..

Mas voltando aos problemas e suas dimensoes, tive umas conversas com amigos recentemente, e me vi pensando nisso.. Eu me peguei falando sobre a dificuldade de uma pessoa tomar decisoes na propria vida, que o comodismo e o conformismo com uma situaçao que se arrasta ha anos faz mal, etc, etc.. Fui surpreendida com a resposta que “cada um tem uma resposta e um tempo para lidar com seus problemas”. E isso é bem obvio, na verdade.. Para mim o problema de alguém, visto de fora, pode ser bem pequeno.. mas se esse mesmo problema acontecesse na minha vida, talvez eu também ficaria imobilizada. Penso que nao, mas é uma possibilidade.

Conheci uma pessoa que me contou que ao ir morar no exterior por causa do emprego do esposo, quebrou a casa inteira mais de uma vez, em um surto (e nao era nada clinico, quebrou porque estava irritada, de saco cheio). :o Bem, apesar do que todo mundo pensa, que morar fora é so maravilhas, conhecer uma nova cultura, ver coisas e pessoas novas.. mas se esquecem do lado mais dificil.. da distancia, da barreira da lingua, dessa nova cultura e suas pessoas. Bom, eu também sou confrontada com isso.. mas nunca me passou pela cabeça quebrar a casa, acho um desrespeito com as coisas que temos. Sera que existe alguma situaçao na qual eu quebraria a casa? Nao consigo pensar em nada..

Outra conversa foi até engraçada.. Foi a conversa com um cara totalmente apaixonado.. leia-se cego de paixao, que estava me contando como a historia deles esta indo.. Normalmente essa pessoa é super séria, nao entende as “frescuras e chiliques” de uma mulher normal. Mas ele estava totalmente fragilizado, à mercê de umas bobeiras da moça.. fiquei impressionada. Mas ao mesmo tempo sensibilizada por ver que a fragilidade e os pequenos grandes problemas acontecem para todo mundo.

Quando estamos apaixonados, todo dia é o ultimo, cada olhar diferente é um problema, uma dor de cabeça é o fim da relaçao, um dia separado é uma eternidade. E eu tenho muita tendencia a perdoar quase tudo dos apaixonados, porque sou incorrigivel. Ja me apaixonei *diversas* vezes e sei o estado em que fico.. é fisico.

Mas na vida do dia a dia.. se nao tomarmos decisoes e atitudes, ficaremos eternamente esperando um “click” que vira de fora.
Eu nem sempre tomo as atitudes na hora que eu gostaria, fico presa em problemas que as vezes eu mesma crio, ou problemas reais que nao vao desaparecer.. entao é melhor enfrenta-los.
Acho que a menor quantidade de tempo que passamos tomando coragem para fazer algo, é maior o tempo depois para aproveitar a sensaçao de alivio de ter feito o que gostariamos. O que é bem mais agradavel..
Ainda estou trabalhando para tentar ver o tamanho real dos problemas, pensar que daqui a algum tempo os problemas de hoje serao pequenos, como os problemas de ontem diminuiram.
Mas ainda guardando o respeito para o tamanho do problema alheio..
Como adoro Mario Quintana, aqui esta um verso dele sobre o assunto:

“A nós bastem nossos próprios ais,
Que a ninguém sua cruz é pequenina.
Por pior que seja a situação da China,
Os nossos calos doem muito mais…”

Mas ao mesmo tempo, nao quero supervalorizar os problemas que aparecem no meu caminho.. quero relativizar (z ou s?) e lembrar da situaçao mais dificil da maioria das pessoas no mundo. Pensando assim, olhamos nossos problemas e vemos que tem gente que faz muito mais das proprias vidas.

Começando com muito menos do que nos.


E voce, tem a consciencia que seus problemas mudam de tamanho de acordo com a fase da vida em que esta? Seus problemas aumentam enormemente quando voce esta apaixonado? Você quebraria a sua casa por algum motivo? Você da mais importancia à seus calos do que aos problemas que possam ser maiores, mas que voce nao percebe? Você gostaria de mudar sua atitude em relaçao às atitudes que toma?
;)

28 de Abril de 2008

Para quem nunca comeu chocolate, nao faz diferença

Publicado por Cris Motta em ...mais que palavras.. idéias..

E por falar em em coisas e pessoas que fazem falta, esses dias atras falei durante horas (literalmente) com uma amiga que mora longe. Haviamos ficado algumas semanas sem nos falar por falta de oportunidade, e tanta coisa aconteceu nesse meio tempo para nos duas que foi uma descarga de assuntos um atras do outro, alguns nem terminados, com a vontade de contar ou perguntar de uma outra coisa.

Fazendo uma comparaçao boba, era como se eu estivesse com muuuuita fome e depois estivesse satisfeita. (Satisfeita naquelas, né.. nenhuma conversa ao telefone substitui o cara a cara com ela, mas vamos levando). Tem pessoas que fazem falta demais no dia a dia, e a vontade do contato vai crescendo com o passar do tempo. Esse é um dos males de ficar mudando de tempos em tempos.

Uma vez conversando com outro amigo que saiu de uma cidade pequena (como eu), ficamos falando que quem ficou por la a vida toda, tinha todos os amigos por perto (fora os que, como nos, saimos) e talvez fosse mais feliz. Chegamos a conclusao que uma vez longe, nao ha como voltar, a se acostumar com um ritmo que nao é mais nosso; e quem esta la nao entende quem saiu, quem nao se sente mais a vontade onde nasceu.
Nao entendem simplesmente porque nao conhecem, e isso é normal para quem nao quer fazer esforços. Quem nunca comeu chocolate, nao sente falta. Simples assim. Mas os chocolatras da vida se sentem em abstinência. Meu amigo questionou se nao seriamos mais felizes se nunca tivessemos saido de nossas cidades, simplesmente por ignorar a existencia de um outro tipo de vida. Porque hoje, com as mudanças, com os encontros, com certeza perdemos muito pelo caminho, apesar de ganhar mais na proxima parada. E todas essas montanhas russas de sentimentos e pessoas e lugares pode ser estressante para muitas pessoas. Mas agora nao consigo viver de outro jeito..
Alias, creio que sempre fui assim, para mim o basico nao da. Em qualquer bobagem, tem que ter um toque que desvie do ordinario.
Me dê um mar bravio, mas nao me coloque em um lago parado.

Nao julgo quem quer o lago, quem nunca comeu chocolate, quem nao gosta de montanha russa…
Existe uma frase em francês que diz: “Tous les goûts sont dans la nature”, que quer dizer que todos os gostos estao na natureza.. o nosso popular “Existe gosto pra tudo”.
Por isso deixo quietos quem quer viver no elevador, em linha reta. Com certeza existe a felicidade na calma. Mas a minha se encontra nos altos e baixos, nas curvas e nas ondas.. e também pode estar no lago..
Mas tive a oportunidade e fiz a opçao de conhecer além, e hoje vivo feliz com a opçao que fiz..

Tenho varios pessoas queridas, em varias partes do mundo.. que me fazem falta no dia a dia.
Conheço varios lugares, varios bares, varios parques e praias que gostaria de ir no final de semana, mas estao muito longe.
Existem varias comidas que experimentei, que nao posso ir comprar no bar da esquina.
Programas de tv, conforto de lugares, clima e temperaturas…

Parece tanta coisa que faz falta, mas ao mesmo tempo eu ganhei e ganho tanto com tudo o que vi e vejo, e aprendo tanto lidando com a falta, que dou valor às coisas que sao verdadeiramente importantes. Lido melhor com o cansaço, se tenho algo importante a fazer, uma oportunidade a nao se perder. Porque sei que as oportunidades se perdem, entao é preciso agarra-las.

E assim vou indo, ao lado de alguém que fez as mesmas opçoes que eu e que partilha (quase totalmente) do meu jeito de ver a vida. E isso é feliz! Para mim a unica tristeza é que as passagens aereas sao tao caras.. Mas mais uma vez, isso me ensina a lidar com as oportunidades. E infelizmente quem nao partilha desse meu modo de ver as coisas acaba perdendo um pouco a ligaçao com a gente.. o que no curso da vida é normal, apesar de doloroso muitas vezes…

E você, é mais adepto do lago ou de um mar bravio? Concorda que quem nao conhece o exterior de sua “bolha” nao sente falta de nada? Acha que é possivel voltar a viver a vida que você vivia aos 15 anos? Acha que vale a pena deixar varios amigos em varios lugares em busca de novidades e novas amizades? Sente sede dos amigos que moram longe? Acha que é possivel ser feliz assim?

10 de Abril de 2008

Você sabe discordar com um sorriso no rosto?

Publicado por Cris Motta em ...mais que palavras.. idéias..

E por falar em boa convivência, o que é mais importante, agradar aos outros ou a si mesmo?
Muitas vezes somos confrontados em situaçoes no dia a dia, nas quais vivemos um impasse.. as vezes é até um pequeno impasse, mas é preciso tomar uma decisao para que a coisa se desenrole.
As vezes é um café a marcar com um conhecido, ou um telefonema identificado pelo celular que nao estamos a fim de responder, uma chamada no msn na hora errada.. coisas bobas. Mas as vezes é uma opiniao contundente, um curso na faculdade, um namorado, um “nao” para alguém importante.
As pessoas, de um modo geral ( e me incluo nelas) convivem perfeitamente bem com os “sim” alheios. Ter pessoas sempre disponiveis e concordantes à sua volta faz bem, é pratico. E isso é uma coisa obvia. Todo mundo gosta.

Mas a partir do momento onde um “nao” surge no caminho, nao temos tendencia a pensar nos motivos do nao. So pensamos como aquela negativa nos atrapalha, independente dos motivos. Alguém que nao pode fazer um favor, que nao esta disponivel para a nossa visita, que nao pode falar com a gente no telefone nesse momento, que nao concorda com a nossa opiniao ou que simplesmente nao esta a fim de fazer algo naquele momento.
Todos temos momentos onde simplesmente nao estamos a fim de fazer nada. Mesmo sem um motivo claro. E nao fazer nada, naquele momento, esta nos fazendo bem. Por que entao deveriamos atender a um capricho de outras pessoas?

(Lembrando que nao estou pensando em situaçoes extremas quando os outros precisam de ajuda, etc).

Por que todo mundo se sente no direito de se ofender de uma opiniao contraria? As vezes me sinto como se eu tivesse que me impedir de dar a minha opiniao, so porque ela vai contra a opiniao da pessoa com quem eu converso. E eu nao quero briga. Muitas vezes eu me calo. Me da preguiça. Eu tenho preguiça das pessoas, como ja dizia uma comunidade do orkut. Nao debato com muitas. Prefiro me calar, e gastar a minha saliva ou a minha digitaçao com pessoas que eu sei que vao me ouvir, me ler. E nao so escutar ou passar os olhos no meu email, sem prestar atençao e continuar com a boa e velha e confortavel opiniao pessoal e imutavel.

Invariavelmente, me afasto. E entendo que se afastem de mim os que nao estiverem de acordo. :) Simples assim. Infelizmente ja ficaram pelo caminho mais pessoas do que eu gostaria, mas como diriam os franceses.. c’est la vie. Eh a vida.

A vida mostra que nao da para abrir espaço para todos, porque todo mundo quer tudo.. e sempre do jeito deles. Opinioes contrarias quase nunca sao bem vindas, o debate inteligente quase inexiste e quem se coloca em seu lugar é quase ninguém. E que a raiva, a explosao e o rancor quase sempre ficam..

Mas graças à vida, o QUASE existe. E nesse quase encontramos uns oasis em forma de gente. As vezes nao sao nem nossos melhores amigos nao.. sao pessoas especiais que ganham minha admiraçao e respeito.. e varios degraus na escada para o meu coraçao. Gente que se respeita, ganha meu respeito. Quem sabe me dizer “nao” de uma forma que nao me ofende, e que nao se ofende com o meu nao, que vê que tudo tem limite.. E como é bom conversar com gente assim.. gente que te ouve e que vê que a vida vai além de picuinhas. Coisa boa! :)

(Quando fui escrevendo esse texto, fui lembrando dos bons exemplos e dos maus exemplos.. citar gente é sempre chato porque esquecemos de algumas.. mas tenho que falar que algumas boas pessoas.. Monica, Karrie, Patry, Katia, Marine..mesmo que quase nenhuma leia o blog –o limite da lingua para algumas– eu tive que pensar nessas meninas com quem posso conversar sem medo de discordar.. porque sei que o que vou levar de volta sera um sorriso e um “eu discordo, na minha opiniao…”. E isso me faz bem.

E você, têm preguiça de pessoas que nao sabem conversar? Se abstém de falar e se afasta de gente assim? Tenta sempre agradar os outros e se frustra? Ou nunca faz concessoes? Você sabe discordar com um sorriso no rosto? :D

1 de Abril de 2008

Consideraçao: nao tao obvio quanto parece?

Publicado por Cris Motta em ...mais que palavras.. idéias..

E por falar em consideraçao com os outros, fico pensando o quanto isso pode e deve ter de influencia na nossa vida.

O que eu pensaria de mim, se fizesse algo que magoa alguém que eu gosto, pelo simples fato de achar que essa pessoa nao deveria se magoar?
Se na minha cabeça, o que eu faço é certo, e o outro sofre sem que eu concorde com a razao do sofrimento, o que é melhor fazer?

Sera que devemos parar de fazer o que achamos certo? Mas dai deixariamos de ser nos mesmos, estariamos seguindo a opiniao de outra pessoa. Mesmo sendo uma pessoa amada, querida, da qual ouvimos e nos importamos com a opiniao, seria como se apagar na atuaçao da propria vida.

Entendo que muitas vezes existe um meio termo, onde a conversa é possivel e talvez um ponto comum seja atingivel. Mas quando nao ha meio termo, é “sim” ou “nao”, e a situaçao é importante, o problema cresce.

Porque certamente nao havera a felicidade total para nenhuma parte.

A parte que vai fazer o que quer, se sente mal com a tristeza do outro, que sofre porque o primeiro nao se preocupou tanto a ponto de parar sua atitude. E começam a questionar o amor, o carinho, a consideraçao. E isso pode fortalecer ou dissolver uma relaçao.
Digo que pode fortalecer no sentido que podemos ver que ha amor apesar das diferenças de opiniao. Mas também podemos ver pelo lado que nao existe semelhanças suficientes para manter o amor.

Creio que é um impasse que tras muito questionamento a respeito das pessoas e a respeito do que fazemos.

Eu sei que eu ajo de acordo com o que eu penso na maioria das vezes, e penso “sinto muito” para os outros que sofrem com isso. Os outros sofrerem me deixa triste, mas me deixaria mais triste eu deixar de fazer o que quero. Sempre procuro um caminho que seja mais brando para os outros, sem deixar de buscar a minha felicidade.

E é facil para mim agir assim. Mas como é dificil quando os outros o fazem!!
Mas entao sofro um pouco, reflito e vejo que eles têm razao. E que se eu nao estiver feliz com isso, tenho o direito de me afastar, de cortar laços, de chorar, de sofrer.
Mas tenho a obrigaçao de respeitar. E é isso que eu estou tentando fazer.


E você, se ofende com esse tipo de situaçao? Você muda as suas atitudes por causa da opiniao de alguém importante, mesmo se a sua escolha for importante para você? Voce acha que viver de acordo com o que os outros te dizem de fazer, é se apagar, mesmo se é uma pessoa que você ama? Você respeita quem faz o que você também faz, quando isso te machuca?

20 de Março de 2008

“Ti amuuuuu” x1000 = carência de amor verdadeiro?

Publicado por Cris Motta em ...mais que palavras.. idéias..

E por falar em amores faceis, gostaria de iniciar uma campanha contra o “eu te amo” descartavel.
Uma grande janela do mundo é a internet, e é atraves dela que vejo todos os dias tantos “euteamos” que eu poderia pensar, se fosse mais ingenua, que o mundo esta cheio de amor para dar, que todos se amam e serao amigos para sempre, passando por todas as barreiras e cavalgando em um cavalo branco rumo ao por do sol.
Bem, mas dai a gente sai da janela da internet e vai para a vida real.. e dai você vê que as coisas nao sao bem assim, que as pessoas que falam tao facilmente que se amam e que serao amigos para sempre “forever and ever”, na verdade falam mal pelas costas, se evitam, na primeira oportunidade nao hesitam em por a amizade em risco por uma bobagem ou vantagem qualquer.
Fico pensando se o amor mudou, porque o que eu conhecia nao é bem por ai..

Nunca fui de ficar falando “te amooooo” para amigos, mas sempre fui uma amiga fiel, e fico me questionando se hoje em dia o amor e a amizade é assim, e eu fiquei para tras na moda. A onda de “diga hoje o que vc pode se arrepender e nao ter como dizer amanha” pegou, mas trouxe com ela um vazio. O vazio de você dizer que ama uma pessoa que so acha simpatica e mal conhece, e dai essas palavras, que antes eram tao valorizadas e ditas para pessoas especiais em momentos especiais, agora estao sendo usadas como pontuaçao de frases..

Sera que a urgencia de dizer e ouvir que é amado vem de uma carência de verdadeiras amizades? Porque com tanta amizade descartavel, é normal se sentir perdido.. e saber que você na verdade nao pode contar com quase ninguém (porque você mesmo sabe que diz “pode contar comigo pra tudo, te amuuu”, e na verdade a outra pessoa nao pode contar com voce para nada, no maximo para uma balada).

Logico que ja fui adolescente e achei que varias coisas (amizades, bandas, sentimentos) seriam para sempre, e nao foram. O que me espanta nao é nessa faixa etaria. Sinto uma simpatia pelas paixoes adolescentes, essa força inocente que acha que tudo vai ser para sempre. Acho que é uma fase que tem que ser vivida, e aos poucos a gente descobre naturalmente que as coisas nao sao bem assim. O que me impressiona é gente que ja passou da adolescencia e ja chegou faz um tempinho na idade adulta, nessa onda, que nao tenho outra palavra para descrever que falsidade. Talvez eles me descrevam como incapaz de amar. Quem sabe? Cada um com a sua opiniao. :)

Mantenho poucas amigas da infancia, da adolescencia, da fase adulta. Tenho grandes amigas e ja tive grandes decepçoes. Mas vivi intensamente as amizades, aproveitei e amei um grupo de pessoas. Mas é impossivel viver intensamente e amar todo mundo, a nao ser que seja de um modo superficial.. Tenho colegas que gosto bastante, mas nao saio gritando que os amo.. porque simplesmente nao os amo, nao os conheço direito para amar e nao me sinto na obrigaçao de dizer isso so porque é moda. Tenho pena de quem se sente na obrigaçao de dizer que ama.

Meus “eu te amo” sao guardados para pessoas que posso contar nos dedos. E eles sao muito melhores de serem ditos quando sao sentidos sinceramente. Espero que os “euteamos” por quilo dos outros um dia façam tao sentido quanto os meus fazem.

E você, ja reparou na moda dos “euteamo”? Acha que é incapaz de amar quem nao ama a todos? Acha que essa onda de amor superficial é carencia de amor verdadeiro? Você sente pena ou se irrita com essa moda? Você diz e ouve “eu te amo” com a frequencia que gostaria?

5 de Março de 2008

“Ou ele ou eu” = Gente chucra

Publicado por Cris Motta em ...mais que palavras.. idéias..

E por falar em respeito ao proximo, tenho pensado no direito das pessoas escolherem suas companias e companheiros livremente, e do meu direito de querer participar disso ou nao.
Explicando-me com um exemplos abrangentes: o que fazer quando uma amiga começa a namorar alguém que você, por um motivo ou outro, nao gosta? Ou quando alguém da sua familia começa amizade com uma turma com a qual você nao se da bem? Ou quando seu filho começa a sair com alguém que você nao simpatiza? Ou seu pai (divorciado, viuvo, etc) começa um relacionamento com alguém que você prefere nao se aproximar?
Partindo do principio que estamos falando de adultos, nao ha motivo para grandes dramas nem discussoes.
Creio que se você tem realmente uma relaçao proxima com a pessoa, e que nao quer simplesmente se afastar por esse motivo, o primeiro e obvio passo é conversar, se a situaçao pedir. O que eu entendo de “a situaçao pedir”, é se seu amigo quer a todo custo chamar voce e a outra pessoa para saidas em grupos pequenos, toda semana, etc. Se o convivio realmente for insuportavel, o que eu entendo que possa ser, dai se faz necessaria uma conversa. Mas, é preciso lembrar que nao somos donos dos amigos, filhos, pais.. eles têm a vida deles, por mais que sejamos proximos, cada um tem o direito de viver a vida acompanhado de quem for. Mesmo se o novo amigo for um drogado, uma vagabunda, um x, y ou z. Nao temos o direito de escolher pelo outro, temos o dever de alerta-los se forem realmente proximos, mas depois disso nao ha mais o que ser feito.
So podemos respeitar e conviver socialmente.
Porque isso sim é importante ao meu ver. Eh possivel nao sermos melhores amigos e ao mesmo tempo sentarmos à mesma mesa de vez em quando. Pelo bem de nosso amigo, de nossa familia, etc. Eh possivel conviver, com limites. Mesmo que os limites sejam rigidos. Nos é que temos que ver o que é maior: o amor pela pessoa ou a implicancia pela nova compania.

Sempre digo que quando ha duas opçoes, quem me diz “ou ele ou eu”, sempre sai perdendo. Colocar alguém na parede para escolhas assim nao é amor, nao é amizade, é posse, é egoismo, é prepotencia.

Claro que ja passei e passo por situaçoes assim. Quantas vezes.. E quanto mais o tempo passa, mais vou aprendendo a lidar com elas. Estabeleço o meu limite de aproximaçao, mas nao corto o laço quando ele é importante para mim. Eu nunca fiquei esperando aprovaçao das minhas amigas ou familia para namorados e amigos, tive os que quis sem me importar com os outros. Entao nao sei porque eu teria o direito de dar palpite nas escolhas alheias. Procuro nao forçar o convivio entre pessoas que nao se bicam ou nao tem nada a ver, e assim vou vivendo, tentando fazer para os outros o que quero façam comigo.

Tenho ouvido umas historias assim, do estilo “Ou ele ou eu” e so posso dizer que acho isso uma reaçao de gente chucra! (ô palavra boa!) Eu fico tao revoltada com esse tipo de coisa que vai totalmente contra meu pensamento de vida de sociedade que as vezes eu me pergunto se um dia as pessoas vao respeitar as decisoes das outras sem se meter, sem ameaçar cortes de relaçoes, sem ameaçar virar as costas. Gostaria de saber se um dia as pessoas serao mais sérias nas decisoes e enfrentar esse tipo de ameaça com a dignidade de uma conversa e ponto final, e nao ficar sofrendo esse tipo de encheçao de saco eternamente.

As pessoas têm que entender que a vida anda (graças a Deus) e que as amizades e os amores podem mudar pela vida, e isso é normal. Que as pessoas trocam de namorados e amigos mesmo, você achando isso triste ou nao. E que as pessoas têm que escolher as pessoas mais adaptadas para aquela fase da vida. Eu nao estaria bem com as mesmas amigas que tive anos atras (algumas permanecem! :) ) e eu mudei de cidade algumas vezes, tudo muda. So quem permanece na mesma vida (vida interior, independente de onde moram) é que tem maior dificuldade de aceitar que a sociedade se desenvolve assim. Nao sou a favor de perder velhos amigos, de divorcios e fins de namoro a cada mês, mas temos que entender que todos procuram a sua felicidade e so cada um pode saber da sua. Você nao sabe o que é melhor para o outro. E se seu amigo vai quebrar a cara.. ele pode ter seu conselho, mas so vai saber direito quebrando. E isso é normal.

Ou entao quem pode quebrar a cara é você, e ver no final que aquela pessoa que você tanto xingou, é na verdade, uma otima surpresa. Resta você deixar a surpresa se mostrar ou nao.

E você, respeita seus amigos quando eles se aproximam de outros que você nao gosta? Você tenta forçar o convivio entre pessoas que nao se gostam? Você faz um esforço de convivencia para mostrar o seu amor? Você é capaz de se afastar de alguém facilmente quando vê que vocês na verdade nao têm mais nada a ver? Você também nao acha CHUCRA uma pessoa que diz “Ou ele ou eu”? :evil:

PS :No dicionario Informal da internet: Chucro –> No popular, pessoa burra, sem modos ou de modos simples e rústicos. Pessoa que não tem educação, bruto, bravo, que fala errado e é grosso.

Resumindo, saia de perto de um chucro, que vc periga de tomar um coice.

22 de Fevereiro de 2008

Defendendo o direito do chinês comer cachorro

Publicado por Cris Motta em ...mais que palavras.. idéias..

E por falar em respeito à diferença, ontem vi na tv (francesa) uma mulher que esta fazendo um movimento contra o consumo de carne canina na China.
Por um milésimo de segundo, fiquei ao lado da mulher, que quer defender esses pobres animais, os cachorrinhos que aqui na França sao idolatrados, de terminar seus dias no prato de algum chinês.
No milésimo de segundo seguinte me lembrei que na India, as vacas sao sagradas, entao nem pensar de consumir nossas tao populares picanhas e cupins e bifes bovinos. E ai, se os indianos quiserem fazer um movimento para que nos nao possamos mais comer o que comemos desde sempre? Que esta inserido na nossa cultura e tradiçao? Sera que iremos dar ouvidos a eles? E se os judeus ou os muçulmanos fizerem um movimento para ninguém mais comer carne suina? Quem vai abdicar em prol da cultura alheia, dentro da propria casa?

(Nao estou fazendo apologia ao consumo de carne. Eu nao sou vegetariana, mas respeito a ideia e admiro quem consegue ser, eu nao conseguiria.)

O que eu estou falando é sobre a prepotência de algumas pessoas e povos de acharem que sao mais evoluidos em relaçao aos outros, e querem ditar o que o outro pode ou nao fazer, para quem deve rezar, no que deve acreditar, o que pode ou nao comer..

Eu nao comeria cachorro. Eu como carne. De boi e de porco. Mas nao posso obrigar a quem nao come de faze-lo. E me parece no minimo desrespeitoso querermos interferir em uma coisa que existe ha tanto tempo. Creio que o argumento seja simplesmente “cachorro nao se come”. Mas isso nao é uma questao de gosto e tradiçao?

Na minha vida, uma coisa que foi boa foi sair de casa, do meu estado e depois do meu pais, e conhecer outros lugares e pessoas , com quem conheci outras culturas e aprendi, depois de um tempo, que nao existe cultura melhor ou pior, elas sao todas diferentes e eu prefiro algumas coisas de alguns lugares, muitas coisas do Brasil, mas aprendi a respeitar, o que é mais importante; e introduzir na minha vida o que me interessa e rejeitar o que nao esta de acordo com o meu gosto. E à medida que vou conhecendo mais coisas e vivendo vou ficando mais tolerante e mais diferente, com um pouquinho de tempero de cada lugar ou pessoa que conheço. Um verdadeiro quebra-cabeças de gostos que se afinam todos comigo.

Conhecem aquela famosa frase de Voltaire: Posso nao concordar com o que você diz, mas defendo até a morte seu direito de dize-lo. Tento ser assim. Por isso, apesar de nao servir para mim, defendo o direito dos chineses de comer cachorro.

E você, consegue tomar distância e defender o direito de fazer algo que você nao faria pessoalmente? Você comeria cachorro? Você consegue respeitar alguma opiniao que é muito diferente da sua, se ela nao tiver influencia na sua vida?

ps: Respeito culturas e tradiçoes quando elas nao vêm acompanhadas de violencia. Sei que o tratamento aos animais é muitas vezes cruel, :( e sou contra isso para todos os animais, que eu os coma depois ou nao. E penso muito se ha um jeito nao cruel de se matar um animal para consumi-lo, uma vez que creio que somos carnivoros por natureza… :(

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